Evangélicos condenam distribuição de recursos públicos a campanhas eleitorais
SAN CRISTÓBAL DE LAS CASAS, México, Julho 28, 2003
O encontro sobre Missão Integral da Igreja diante da Pobreza no México, reunido nesta cidade Taxi Heathrow Airport do Estado de Chiapas, dias 22 a 25 de julho, rechaçou, em documento, "o enorme dispêndio que representa o gasto público destinado às campanhas eleitorais".
A declaração final do encontro diz que o montante gasto no recente processo eleitoral de 6 de julho atingiu "níveis escandalosos", e que lamenta, por isso, ainda mais a "dolorosa situação em que vivem milhões de compatriotas sumidos na pobreza extrema".
A conferência de Chiapas foi convocada pela Fraternidade Teológica Latino-Americana, Aliança Evangélica Ministerial de Chiapas, Conselho Estatal de Igrejas Evangélicas de Chiapas, Fundação Kairós da Argentina, Comunidade de Estudantes Cristãos e Assembléia Geral da Igreja Nacional Presbiteriana do México.
O pronunciamento dos líderes evangélicos presentes no encontro demanda das autoridades eleitorais, dos governos federal e locais, e dos deputados eleitos a assinatura de "um compromisso firme" para impor limites modestos aos gastos de campanha.
É uma imoralidade, diz o documento, que grandes cifras dos fundos públicos sejam destinadas a campanhas eleitorais que se reduzem à publicidade e promoção das supostas virtudes das oferta partidárias.
"O México requer, e merece, uma democracia de qualidade; isso exige um sistema de partidos estruturado e regulado com base na tal exigência e à altura das demandas e dos desafios que dela emanam", diz o documento.
Como cidadãos mexicanos plenamente conscientes e no exercício dos direitos políticos e obrigações cívicas, "cremos que é fundamental que todos os atores políticos do país referendem o seu compromisso com os valores da democracia, da eqüidade e da justiça com vistas à construção do projeto nacional que requeremos", sustentam os evangélicos.
Consolidar plenamente o processo de democratização do país demanda de todos os atores políticos e da sociedade mexicana criar e sustentar as condições para a construção dos acordos e maiorias democráticas que o país requer num clima de respeito, concórdia e co-responsabilidade, diz o documento.
Para tanto, é tarefa pendente conseguir que o compromisso político-eleitoral seja normatizado por princípios e critérios que deixem para trás os vícios e as práticas do antigo regime político, que estiveram permeados pela suspeita, desconfiança, desqualificação e confrontação entre os partidos, bem como entre partidos e governo.
O atual marco legal que rege a atribuição eleitoral requer uma reformulação sob novos pressupostos e critérios mais afinados com a realidade e as exigências democráticas do México do século XXI. Sem isso, tanto os processos eleitorais como os seus resultados seguirão sendo motivo de insatisfação e desencanto para a cidadania, afirmam os líderes evangélicos.

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