Partidários de Ríos Montt provocam distúrbios na capital
GUATEMALA, Guatemala, Julho 25, 2003
Acatando a ordem de comando de seu líder, o ex-presidente e general reformado Efraín Ríos Taxi Heathrow Airport Montt, centenas de manifestantes, muitos deles armados de paus e facas, saíram ontem pelas ruas da capital, provocando cenas de violência na cidade.
Ríos Montt pediu a seus partidários que se manifestassem frente a perspectiva de uma possível sentença da Corte Suprema da Justiça (CSJ) contra a inscrição de sua candidatura à presidência da República nas eleições de 9 de novembro.
Instituições democráticas, as igrejas Católica e evangélicas, personalidades e organismos de direitos humanos posicionaram-se contra a possibilidade de Ríos Montt se inscrever como candidato à presidência. A Constituição proíbe que um golpista seja candidato. Nos 18 meses em que ele esteve na presidência, depois de derrubar o presidente eleito com um golpe, em 1982, Ríos Montt cometeu um sem número de violações dos direitos humanos.
A jornalista Maya Cu, da Rede Mulheres ao Ar, descreveu o quadro na capital:
- Esta manhã, um helicóptero sobrevoava a área onde trabalho. O rádio e a televisão informavam atos violentos. Depois, o primeiro morto, um repórter da televisão, Héctor Ramírez. Helicópteros. Ausência de segurança. Turbas perseguiram jornalistas. Ataques às casas comerciais. Escolas fechadas por emergência.
Indignado, o porta-voz da Associação de Jornalistas da Guatemala, Víctor Hugo De León, pediu, através da Rádio Universidade, que parem com a violência. "Não é possível que simpatizantes de um partido político e de um genocida provoquem esse caos. É horrível que voltemos ao passado. Nós, como velhos jornalistas, vivemos e sabemos o que significa quando na nossa frente estacionam veículos sem placa. Isso é o que acaba de acontecer", disse.
"A raiva, a incerteza, o medo, o luto, a dor, apoderaram-se de novo deste país. Estamos desamparados!" - acrescentou Maya Cu.
O general Efraín Ríos Montt é o presidente do Congresso, e pretende ser o presidente da Guatemala. Ele declarou que não se responsabilizava pelo que seus simpatizantes fizeram durante a manifestação de "apoio" à sua inscrição como candidato pelo partido do governo, a FRG.
Segundo Maya Cu, no lugar onde morreu o repórter de Noti 7, Héctor Ramírez, não havia nenhum policial. Corria na cidade a informação de que o diretor da Polícia Nacional Civil renunciara, porque foi impedido de intervir na situação.
O rádio informou que logo depois dos acontecimentos da manhã foram vistos caminhões levando comida aos supostos manifestantes. A situação se acalmou. Mas depois do almoço a violência teve seguimento em alguns pontos da cidade.

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