Pastor lamenta divisão de evangélicos
Fernando Oshige, LIMA, Perú, Julho 3, 2003
O pastor presbiteriano Pedro Arana lamentou a divisão de igrejas evangélicas peruanas, suscitada por causa do debate no Congresso de projeto de reforma da Constituição de 1993 e aprovação de artigo que trata das relações entre as igrejas e o Estado.
“Esse é um momento muito triste, pois o surgimento de uma nova organização evangélica debilita o testemunho das igrejas perante a sociedade e a interlocução frente ao Estado”, arrolou Arana, ex-membro da Assembléia Constituinte de 1978.
O pastor e diretor da Sociedade Bíblica Peruana foi o conferencista, na segunda-feira, de evento convocado pelo Instituto de Estudos da Comunicação (IEC) e o Instituto de Estudos Sociais Juan Mackay. Foram convidados para o evento dirigentes do Conselho Nacional Evangélico do Peru (Conep) e da recém constituída União Cristã de Igrejas Evangélicas do Peru (Unicep). O diálogo entre as duas organizações não aconteceu por causa da ausência do representante da Unicep.
Arana fez referências à fundação da Unicep, em abril passado, e lamentou os excessos de alguns de seus dirigentes, que acusaram o Conep de ter traído os anseios da comunidade evangélica de alcançar a igualdade religiosa. “Esse excesso demanda desculpas públicas da Unicep”, opinou.
O Comitê Interconfessional, integrado pela Conferência Episcopal e o Conep, igrejas evangélicas e a comunidade judaica, propôs ao Congresso texto que explicita, no primeiro parágrafo, “dentro de um regime de independência e autonomia, o Estado reconhece a Igreja Católica como elemento importante na formação histórica, cultural e moral do Peru e lhe presta sua colaboração”.
Acrescenta, em seguida, que “o Estado reconhece e respeita todas as confissões religiosas e estabelece acordos de colaboração com elas através de seus órgãos representativos, com critérios de eqüidade”. Esse texto foi aprovado pelos parlamentares e figura no projeto de reforma da Constituição de 1993.
As igrejas evangélicas que não integram o Conep qualificaram o texto aprovado como uma concessão à Igreja Católica e uma traição à demanda de plena igualdade religiosa.
Na conferência sobre “Igrejas evangélicas e a luta por igualdade religiosa” Arana defendeu um diálogo sincero e desapaixonado entre líderes do Conep e da Unicep, que ajude a melhorar as relações entre as duas instituições.
Para evitar a debilidade da interlocução dos evangélicos com o Estado, Arana propôs que se constitua uma comissão interinstitucional, pois, disse, as autoridades oficiais dificilmente entenderão as diferenças que separam as duas organizações evangélicas.
O líder presbiteriano destacou dois aspectos importantes da Constituição de 1979. Afirmou que essa Constituição reconhece a separação Igreja-Estado, mas reconhece, por outro lado, a Igreja Católica por causa de seu papel na formação histórico e cultural do Peru, sustentando que pode estabelecer formas de colaboração com outras confissões religiosas.
“Foi a primeira vez na história religiosa do Peru em que a Igreja Evangélica e outras confissões foram reconhecidas junto com a Igreja Católica, e se menciona que o Estado pode estabelecer formas de colaboração com elas”, explicou. A Constituição de 1979 foi revogada pela Constituição de 1993, sob o regime do ex-presidente Alberto Fujimori, que agora está sendo revista.
Ao referir-se ao tema da igualdade perante o Estado, Arana propugnou que os evangélicos reclamem igualdade de oportunidades para o serviço pastoral nas prisões, nas forças armadas e em outros âmbitos. “Não se trata de buscar uma igualdade com os privilégios outorgados à Igreja Católica. Sou contrário a que o Estado pague salários dos pastores”, definiu.
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