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Sexta-feira, 2 de Junho de 2006

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Konrad Raiser quer inteirar-se

A hora "glocal"

Manuel López, MADRI, España

No início dos anos 90, na pré-história da sociedade digital, surgiram algumas poucas "palavras estrambóticas" inventadas à medida do iminente novo cenário da tecnologia e, por extensão, das relações humanas. Um desses novos termos é "glocal", associação de "global" e "local".

Essa "palavra estrambótica" define não apenas as novas estratégias das grandes companhias transnacionais, mas também vale para emoldurar a natureza dual da Igreja cristã.

Por uma parte, cultiva-se um localismo irado, tantas vezes exacerbado - e até provinciano. A "sacrosanta" autonomia da igreja local parece como se fosse o mais importante mandamento divino.

Mas, de outro lado, a Igreja não pode separar-se da projeção internacional, algo tão novo em nossa era da globalização, como antigo na história da evangelização cristã: "Ide e fazei discípulos em todas as nações".

Dado que será a primeira vez que o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) realizará uma Assembléia Geral na América Latina - em Porto Alegre, Brasil, em fevereiro de 2006 -, a relevância dessa histórica convocação para a realidade latino-americana e as igrejas brasileiras é mais do que óbvia.

Mas não menos importante que a celebração da Assembléia em si é o período pré-assembléia. Nesse sentido, o convite do secretário geral do CMI, Konrad Raiser, marca uma baliza sem precedentes na história dos Conselhos.

Tal como anunciei no meu artigo anterior, aceito duplamente agradecido o convite de propor temas para Porto Alegre 2006; primeiro, ao Dr. Raiser, e também a Fernando Oshige, diretor desse periódico na rede.

A "glocalidade" da Igreja na América é assunto de enorme importância, também aqui na Europa. Para 2006, a proporção de membros de origem latino-americana em muitas igrejas protestantes espanholas pode ser majoritária, enquanto um novo governo abre-se razoavelmente a atual política implacavelmente dura de fronteiras. De fato, há pontos de missão nos quais a presença de membros latino-americanos ronda já a proporção de 50 por 100.

Mais ainda. Algo de crucial importância está ocorrendo aqui, no outro lado do charco, nesta Espanha de nossos pecados: a missão mudou de passaporte. O ciclo histórico no qual a Europa enviava missionários para a América inverteu a direção. E a Espanha é o ponto natural de destino. A maioria dos missionários que chegam a esses lares são da América Latina. Bem-vindos!

Assim, a hora "glocal", já vem, soa simultaneamente de modo uníssono para vocês na América e para nós, na Europa. Sem dúvida, o "estado da questão" da Igreja latino-americana na emigração européia - uma comunidade dispersa que poderia aproximar-se ao milhão de congregacionais ativos, e ainda superar esse número com leis de estrangeiros mais humanas - será um elemento decisivo a se levar em conta na declaração final do primeiro grande Concílio do século XXI.

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Manuel López, jornalista espanhol, membro da Igreja Batista de Madri. É diretor da revista Fotos e colaborador da IC Press.