Dia das vítimas da tortura reúne personalidades que ajudaram perseguidos
SANTIAGO, Chile, Junho 27, 2003
A celebração do Dia Internacional da Solidariedade às Vítimas da Tortura no Chile, comemorado ontem Taxi Heathrow Airport nesta capital, contou com a participação de personalidades que salvaram centenas de chilenos perseguidos pela ditadura, ajudaram exilados e denunciaram ao mundo os crimes do regime de Pinochet.
Delegação internacional, convidada pela Comissão Ética Contra a Tortura, participou na celebração. Integraram a delegação o bispo luterano alemão, Helmut Frenz; o cantor uruguaio Daniel Viglietti; o ex-embaixador da Noruega, Frode Nilson; o representante da organização belga Solidaridad Socialista, Francoise Visée; e os argentinos Félix Crous e a deputada nacional Margarita Jarque.
Helmut Frenz, 70 anos, reside atualmente na Alemanha. Ele fez parte de equipe de sacerdotes, irmãs e pastores que, depois do dia 11 de setembro de 1973, conseguiu asilo para mais de 1 mil pessoas em embaixadas, relatou Lucía Sepúlveda.
Junto com o bispo católico Fernando Ariztía, Frenz organizou o Comitê Pró-Paz, que documentou as denúncias dos familiares dos perseguidos. Frenz foi preso três vezes.
Em 1975, quando foi a Genebra para entregar documentos de denúncia às Nações Unidas, o governo chileno proibiu o seu retorno ao Chile. Na Alemanha, fez campanha contra a colônia Dignidad por causa dos vínculos da colônia com a nefasta Direção de Inteligência Nacional (Dina).
Frode Nilsen foi embaixador da Noruega no Chile durante oito anos e se propôs a tirar do país perseguidos políticos que nenhuma outra nação queria acolher, entre eles militantes do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) e da Vanguarda Organizada do Povo (VOP).
Françoise Visée, trabalhador social belga, recebeu exilados em Bruxelas procedentes do Chile, Argentina, Uruguai, Ruanda, Somália e Congo. Lembra que alguns chilenos desembarcaram no aeroporto apenas com uma bolsa contendo produtos de higiene pessoal e fotos da família. Françoise arrumou-lhes alojamento e matriculou seus filhos em escolas.
O cantor e compositor Daniel Viglietti também conheceu a prisão em seu país, o Uruguai, em 1972. Libertado graças à pressão internacional, exilou-se na França, retornando ao seu país natal em 1984. Cantou em inúmeros atos de solidariedade na luta de resistência no Chile. Muitas de suas canções são lembradas ainda hoje.
A deputada argentina Margarita Jarque desmascarou o sacerdote Cristián von Wernich, escondido no balneário chileno El Quisco, quando era procurado pelos tribunais argentinos, acusado de ser responsável por desaparecimentos, torturas e perseguição de milhares de argentinos e de uma chilena, em 1978.
O bispo Frenz e outros convidados foram saudados, no dia 20, por Isabel Allende, filha do presidente Allende, assassinado em 1973. Em outro ato de boas-vindas, na quarta-feira, 25, Frenz disse, na Universidade da República, que "não se pode colocar um ponto final na história. A história é como um rio, que nenhuma represa pode deter. No centro do debate têm que estar as vítimas, os sobreviventes e os familiares, que devem obter justiça em todos os níveis. Opomo-nos a qualquer tentativa de ponto final", enfatizou.

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