![Ishmael Noko, secretário geral da FLM [Foto: LWF-El Salvador]](/picture/Noko-San_Salvador_4fda86.jpg)
Canadá nega visto a delegados luteranos
GENEBRA, Suiza, Junho 25, 2003
Uma nova política aduaneira adotada pelo Canadá fez com que delegados de vários países à Taxi Heathrow Airport X Assembléia da Federação Luterana Mundial (FLM), agendada para Winnipeg, de 21 a 31 de julho, tivessem negados seus vistos de entrada no país. O incidente preocupa organizadores do evento.
"A negativa não guarda relação com a tradicional hospitalidade internacional canadense", declarou o secretário geral da FLM, reverendo Ishmael Noko. O bispo que preside a Igreja Evangélica Luterana do Canadá (ELCIC, a sigla em inglês) pediu entrevista com o ministro da Cidadania e Imigração, que ainda não foi atendida.
A FLM reúne-se a cada seis anos em assembléia geral, evento decisório máximo do organismo ecumênico internacional, para o qual acorrem cerca de 800 representantes das 136 igrejas membros, de 76 países. Além de delegados, participam do encontro convidados, observadores ecumênicos, pessoal de apoio e jornalistas. Do total de participantes da X Assembléia, 35% precisam de visto para entrar no país.
A FLM foi informada de que os vistos para as delegações de Bangladesh, Colômbia, República Checa, República Democrática do Congo, Eritréia, Quênia, Serra Leoa e Tanzânia sofreram as restrições canadenses.
Foram negados os pedidos de visto de quatro dos cinco convidados de Bangladesh, de toda a delegação de Serra Leoa, de autoridades de outros países, entre eles um membro do Conselho e de um funcionário da FLM.
Em todos esses casos, a FLM recebeu apenas uma justifica geral explicando a negativa da concessão dos vistos de entrada, explicou o assistente do secretário geral em Assuntos Internacionais e Direitos Humanos do organismo ecumênico, Peter Prove. "Tememos que os pedidos de visto de outros países tenham a mesma sorte", disse.
A Assembléia anterior esteve reunida em Hong Kong, em julho de 1997, poucos dias antes da devolução desse território inglês aos chineses. As autoridades chinesas concederam vistos de entrada para todos os delegados e convidados à assembléia, sem restrições.
Prove afirmou que a reputação do Canadá de apresentar uma posição aberta em muitos temas internacionais faz do país um local ideal para reuniões. Noko lamentou que enquanto o governo canadense emite selo comemorativo à X Assembléia da FLM, ao mesmo nega vistos de entrada a muitos de seus participantes.
O secretário geral da FLM viveu seis anos no Canadá. Frisou que personalidades canadenses, como os primeiros ministros John Diefenbacker, Lester Pearson e Elliot Trudeau, atuaram em favor dos países em desenvolvimento e foram porta-vozes dos que não tinham voz.
Agora o Canadá cria uma situação na qual representantes das igrejas do Norte poderão participar da Assembléia em Winnipeg, enquanto que delegados de países do Sul têm esse direito negado.
Noko anotou que jamais, desde a primeira assembléia em Lund, na Suécia, em 1947, a FLM teve problemas de vistos de entrada com delegados. Frisou que o governo canadense foi informado, periodicamente, dos preparativos do encontro e da conformação das delegações.

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