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Terça-feira, 24 de Junho de 2003

CONEP rechaça manobras divisionistas

LIMA, Perú, Junho 19, 2003

"Rechaçamos, terminantemente, o comportamento de alguns pastores que buscam benefícios particulares às custas da provocação Taxi Heathrow Airport de um cisma que se alimenta com a desinformação ou informação distorcida", diz comunicado do Conselho Nacional Evangélico do Peru (CONEP).

"Consideramos que qualquer pessoa ou grupo de crentes está em seu direito de adotar a forma organizacional que considerar conveniente, sempre que se oriente a fortalecer o corpo de Cristo. Mas tal organização não deve ser alentada por mecanismos e argumentos que colidem com a verdade, a ética e os valores do Evangelho", define o documento.

O CONEP lembra, no documento, que no dia 22 de abril um grupo de pastores de igrejas não-filiadas ao CONEP decidiu constituir a União de Igrejas Cristãs Evangélicas do Peru (UNICEP), usando como pretexto a aprovação de artigo de Projeto de Lei, no Parlamento, de reforma da Constituição e que diz respeito às relações entre o Estado e as igrejas.

Embora os documentos da UNICEP e seus representantes apresentem um discurso conciliador, não pode passar desapercebido que essa organização se propõem quase aos mesmos objetivos do Conselho e que empreendeu uma estratégia que busca dividir e debilitar o CONEP, destaca o documento.

O comunicado denuncia que pastores membros da nova organização estão percorrendo igrejas, afirmando que "o CONEP se dissolveu e que a UNICEP o substituirá". Esse comportamento, "que se distancia da ética cristã e que nega os princípios e valores do Reino de Deus, produzirá efeitos muito negativos, tanto no interior da comunidade evangélica" quanto na sociedade "da qual somos parte", alega o CONEP.

Na semana passada, a Assembléia de Deus do Peru, igreja filiada ao CONEP, denunciou que membros da UNICEP estavam "desinformando e confundindo" o povo evangélico e, de modo especial, a membresia, assegurando que o CONEP tinha se dissolvido e que a UNICEP assumira a representação do "setor evangélico do país".

Fundado há 63 anos, o CONEP agrupa a maioria das igrejas evangélicas do país e as representa perante as autoridades e sociedade civil. Nas últimas duas décadas, conseguiu dar visibilidade pública aos evangélicos, por causa da defesa dos direitos humanos que assumiu, por sua participação na Mesta de Ajuste na Luta contra a Pobreza, e sua contribuição à criação da Comissão da Verdade e Reconciliação. Ele também participa do Fórum de Acordo Nacional, do Conselho Nacional de Direitos Humanos e do Fórum Educação para Todos.

O artigo 71 do projeto de lei de reforma da Constituição, aprovado pelo Congresso, reitera que o Estado reconhece o importante papel desempenhado pela Igreja Católica na formação da nação e lhe presta sua colaboração. Também reconhece as demais religiões e com elas estabelece formas de cooperação através de seus órgãos representativos.

Essa redação foi aprovada no Congresso depois que representantes do Comitê Interconfessional (do qual a Igreja Católica faz parte) afirmaram que o texto refletia o consenso das igrejas.

O comunicado do CONEP informa que uma Assembléia Geral Extraordinária do Conselho, realizada no dia 10 de maio, "acordou rechaçar o artigo em menção e reafirmar o compromisso do Conselho Nacional Evangélico do Peru de seguir lutando, com os instrumentos legítimos ao seu alcance, até conseguir um regime de igualdade religiosa no marco da construção da democracia no país".

O objetivo de luta do CONEP na reforma da Constituição, acrescenta, não refere-se apenas à relação Igreja e Estado, mas a todos aqueles artigos que expressam concepções incompatíveis com o propósito de Deus para a vida humana.

A mencionada Assembléia Geral reafirmou a institucionalidade, representatividade e vigência do organismo. Uma comissão constituída em fevereiro deste ano começou processo de diagnóstico e redesenho organizacional do CONEP.