Católicas pelo Direito de Decidir lançam CD educativo
SÂO PAULO, Brasil, Junho 11, 2003
A organização Católicas pelo Direito de Decidir (CDD) vai lançar um CD - "Sexualidade, anticoncepção Taxi Heathrow Airport e religião"-, com programas educativos sobre métodos contraceptivos e saúde. O lançamento terá lugar em São Paulo, na próxima segunda-feira, 16 de junho, durante debate sobre "Direitos sexuais e reprodutivos: Na lei e na prática".
Segundo o Ministério da Saúde, metade das mulheres que foram mães entre 1990 e 1995 no Brasil tiveram uma gravidez não- planejada. O aborto clandestino é a terceira causa de mortalidade materna.
O Ministério da Saúde identifica, em documento, que uma das principais dificuldades de acesso da população a métodos anticoncpetivos é a falta de recursos financeiros de um grande número de municípios para adquiri-los e o número insuficiente de médicos capacitados para trabalhar com alguns desses métodos.
No debate, promoção que terá a parceria da Rede Feminista de Saúde e da Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)- de São Paulo, estará em pauta como interpelar os serviços públicos de saúde que se negam a cumprir as leis que dizem respeito à saúde sexual e reprodutiva.
O aspecto religioso é um forte componente, em muitas situações impeditivo do uso de métodos anticoncepcionais e do preservativo. Para a CDD, controlar o número de filhos e prevenir doenças sexualmente transmissíveis não é pecado e não interfere na prática religosa.
A CDD define-se como uma organziação não-governamental feminista, de caráter ecumênico, que busca a justiça social e a mudança dos padrões culturais e religiosos vigentes na sociedade. Ela luta pela igualdade nas relações de gênero e pela cidadania das mulheres, tanto na sociedade como no interior da Igreja Católica e de outras igrejas e religiões.
O pensamento religioso progressista, argumenta a CDD, favorece a autonomia das mulheres. A organização está presente no Brasil desde 1993 e atua em articulação com a rede latino-americana, com mulheres da Espanha e dos Estados Unidos.
O movimento nasceu em Nova Iorque, em 1973, com o nome de Catholics for a Free Choice, logo após o Congresso norte- americano legalizar o aborto. Em 1995, a CDD participou da Conferência de Pequim, apesar da tentativa do Vaticano de impedir tal participação. Hoje, a CDD é uma interlocutora reconhecida no debate público em torno de questões religiosas relativas ao direito da mulher.

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