Setores evangélicos apoiam bloco encabeçado pela FMLN
SAN SALVADOR, El Salvador, Junho 10, 2003
As igrejas Luterana, Calvinista Reformada e setores da Igreja Batista decidiram apoiar o bloco político Taxi Heathrow Airport encabeçado pela Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), de esquerda, na disputa eleitoral do próximo ano em El Salvador.
O pastor Ricardo Cornejo, um dos líderes da Igreja Luterana Salvadorenha, disse que a FMLN tem que se comprometer a erradicar as raízes da violência social. "Fomos convocados pela sociedade civil para dizer aos candidatos que o que prometem eles têm que cumprir. Como igreja, temos que acompanhá-los em favor do país, para que a violência seja erradicada", apontou.
O bloco político foi anunciado na sexta-feira passada por Guillermo Mata, pré-candidato à vice-presidência da República. Ele é integrado por representantes de organizações sindicais, militares da reserva, por professores e pelas igrejas.
O coordenador geral da Frente, Salvador Sánchez Cerén, disse que não se deixará intimidar por "vozes de fora", e que realizará transformações, caso chegue ao poder. Mata afirmou que o objetivo da FMLN é "aglutinar os anseios dos setores num só movimento".
Outro setor que apoia o bloco de esquerda é a associação de professores Andes 21 de Junho. Arnoldo Vaquerano, secretário geral desse grupo, opinou que a iniciativa da FMLN lhe parece boa, porque nenhum governo pode atuar de modo isolado. Se a FMLN chegar ao poder, acontecerão reformas educacionais que se adequarão à realidade do país e não a de outros lugares, adiantou.
O coronel David Munguía Payés, ex-candidato a deputado, afirmou que não haveria mudanças substanciais nas Forças Armadas, mas, antes, na condução dessa instituição. "Há que se ter mais consideração à instituição armada. A Arena (partido no poder) lhe deu as costas", assinalou. A Aliança Republicana Nacionalista (Arena), de direita, ganhou as eleições de março de 1999 e elegeu o presidente Francisco Flores.
Sánchez Cerén declarou que a FMLN é um espaço para unir os diferentes setores sociais que procuram solucionar suas necessidades. "Dizemos aos setores sociais que não se pode claudicar perante as necessidades das pessoas", informou.
Mata disse que com o lançamento do bloco se está permitindo a participação popular, para construir um processo social alternativo, por meio de um programa democrático numa conjuntura de crise, a qual iniciou há nove meses com a greve no setor de seguro social.

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