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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2004

Ricardo Verástegui,jornalista peruano [Foto: FOS]
Ricardo Verástegui,jornalista peruano [Foto: FOS]

Quando a democracia não é representativa

Ricardo Verástegui , LIMA, Perú, Junho 9, 2003

A democracia representativa que assumimos no Peru e em quase toda a América Latina como Taxi Heathrow Airport sistema político para a conquista do bem comum em função do fim supremo da sociedade e o Estado, que é a pessoa humana, tem uma fraqueza, desde o seu nascimento. Ela não é representativa, se por democracia representativa entendermos o governo do povo, pelo povo e para o povo.

A democracia que temos revela-se como um governo dos políticos e não um governo do povo, quando observamos o que aqueles discutem e aprovam como sendo bom para o país e a população, deixando de ouvir o clamor da cidadania e fechando os olhos à realidade em que vive.

Em suma, a democracia que temos é a negação absoluta da democracia representativa e a clara evidência da existência de uma ética pública baseada em arranjos, no tráfico de influências, na corrupção de funcionários e numa aliança do poder político dominante com os interesses dos grupos de poder econômico nativos e empresas transnacionais.

Ética pública que, por outra parte, iguala o pensamento e a ética do interesse privado que enaltece a supremacia do mercado e do indivíduo sobre o interesse coletivo das pessoas e das nações, e que encontrou na pregação neoliberal e a globalização do domínio imperial do dinheiro seus melhores aliados.

Por isso, quando observamos e descobrimos a brecha existente entre as promessas dos candidatos a governantes e o que eles fazem no exercício do poder público não se trata de uma falha da democracia representativa, mas que - o que é mais grave ainda - ela não existe.

Esse desafio nos apresenta a necessidade de construir um sistema democrático que coloque a economia a serviço da pessoa e represente - real e efetivamente - a cidadania, assim como a vivência de uma ética baseada na reciprocidade e na solidariedade, que seja o vaso comunicante permanente entre a esfera pública e a sociedade civil.

Unicamente dessa forma a democracia, o governo do povo e para o povo, será uma realidade; e a ética pública e privada, a busca permanente em reduzir a iniqüidade social geradora de pobreza na busca do desenvolvimento, não será entendida apenas como crescimento econômico que envolva inversão de capital. Mas também como progresso científico e tecnológico, como um processo que tem relação direta com o crescimento integral e sustentado dos seres humanos, das culturas e do meio ambiente.


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