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Reparações às vítimas é um grande desafio à Comissão da Verdade
LIMA, Perú, Junho 5, 2003
Na abertura do Seminário Internacional "Da negação ao reconhecimento", o presidente da Comissão da Verdade e da Reconciliação (CVR), Salomón Lerner Febres, afirmou que o grande desafio de uma entidade como essa é o de persuadir a sociedade e o Estado a cumprir com reparações materiais e simbólicas às vítimas.
O evento, que vai até amanhã no auditório principal do Museu da Nação, foi inaugurado ontem pelo presidente do Conselho de Ministros, Luis Solari. Participaram da cerimônia cerca de 800 pessoas, entre elas familiares das vítimas de violações dos direitos humanos durante a luta anti-subversiva de 1980 a 2000, período que a CVR investiga por encargo do governo peruano.
Um primeiro painel, sobre "Conflitos internos em democracia", contou com a presença de David Scott Palmer, dos Estados Unidos, Mari Fitzduff, da Irlanda, Julio Cotler, do Peru, e Juan Rial, do Uruguai.
A introdução do tema esteve a cargo de Carlos Iván Degrgori, que relatou o processo de violência vivido no Peru nos anos investigados.
Scott Palmer analisou os motivos do surgimento da insurreição armada no Peru. Ele disse que a democracia é o sistema com maiores possibilidades para responder as necessidades de todos os grupos políticos e dar espaço ao diálogo. Mas a democracia, indicou, deve ser cuidada e polida para todos. Nesse sentido, anotou. no futuro devemos responder às raízes da violência com ações coerentes.
Rial participou do processo pós-referendum no Timor Leste. Ele apresentou um resumo dos processos de violência política na Argentina, Chile e Uruguai, onde, disse, ainda não se resolveu o problema. No Uruguai, assinalou, os militares nunca pediram perdão, nem pensam em fazê-lo. Eles justificam as violações dos direitos humanos como excessos que sempre acontecem numa guerra.
Fitzduff, da Universidade do Ulster, afirmou que é difícil e complicado resolver conflitos, e quando há diferenças que parecem irreconciliáveis há pouca disposição para negociar. Mas com esforço e entendimento pode-se melhorar a situação, disse.
Para alcançar a reconciliação, assegurou, é preciso considerar fundamentalmente três coisas: a igualdade entre identidades, a diversidade social e que ninguém seja marginalizado no processo. "Devemos aprender a confiar e depender uns dos outros, dar-nos conta de que precisamos uns dos outros e que podemos aportar uns aos outros, apesar das diferenças", destacou.
O sociólogo Cotler assinalou que é importante fortalecer o Estado para garantir a democracia e que para isso é fundamental uma sociedade civil viva e uma real e séria participação dos partidos políticos.

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