A água na base da democracia global
PORTO ALEGRE, Brasil, Junho 5, 2003
O professor de economia Riccardo Petrella, 62 anos, da Universidade Católica de Louvain-la-Neuve, Bélgica, defende a organização de uma democracia internacional a partir da água, líquido que é um bem comum.
Petrella proferiu a conferência de abertura do Simpósio Internacional "Água: bem público universal", no dia 20 de maio, hospedado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo.
O professor faz da água "um problema de política de vida, de política social, de política de luta contra o capitalismo mundial, de política para a democracia", como explicou em entrevista ao boletim IHU On-Line, do Instituto Humanitas Unisinos.
Os grupos dominantes, disse na entrevista, "pensam que o comércio é o campo no qual se pode experimentar o governo mundial. A Organização Mundial do Comércio (OMC) é a democracia entre Estados, dizem os dominantes; o órgão de resolução dos conflitos é o Tribunal Internacional Penal. Eu acho que náo é o comércio, é a água, o bem comum, a vida, que pode levar à organização de uma democracia internacional", assinalou.
Assim como no passado a escravatura foi declarada ilegal, no século XXI "deve ser declarada a ilegalidade da pobreza". O professor enfatizou, também, o conceito de responsabilidade e solidariedade mundial. "Você é o responsável pelo mundo, não nós, você", salientou.
Outro elemento enfatizado pelo economista é o da sacralidade da vida. "Não penso na religião, e sim na sacralidade. As pessoas devem saber que essas coisas não se podem reduzir a uma mercadoria. A vida é sagrada. O ar, a cultura, a memória, a água, as árvores são sagradas", definiu.
Também é uma falsa verdade, arrolou, dizer que quando há custos envolvidos a solução deve passar pela economia de mercado. "É uma verdade falsa dizer que as finanças públicas são destinadas a serem pobres" e que os bens necessários à vida se devem fazer com dinheiro privado.
"Se estamos num processo histórico de globalização, ela significa bens e serviços públicos comuns globais. Senão, que globalização é essa? A globalização da internet? A globalização financeira?"- indagou.

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