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Terça-feira, 22 de Julho de 2003

Mediação de Bambarén diminui onda de manifestações violentas

Hugo Lévano, LIMA, Perú, Junho 4, 2003

Depois de 24 dias de violenta agitação social, o Peru teve, hoje, um dia de Taxi Heathrow Airport relativa calma. Essa calmaria pode ser debitada à indicação do bispo de Chimbote e ex-presidente da Conferência Episcopal Peruana, Luis Bambarén, como mediador no conflito entre o governo e professores das escolas públicas.

O bispo teve ontem uma jornada agitada. Primeiro, participou de reunião, de quatro horas, do Acordo Nacional, na qual dirigentes políticos, representantes de setores sociais e membros do governo decidiram nomeá-lo mediador na greve declarada por quase 400 mil professores, no dia 12 de maio passado.

O conflito, caracterizado por turbulentas manifestações desde o início, agravou-se no dia 26 de maio, quando um setor de agricultores iniciou greve contra a privatização da água e pela diminuição do imposto de comercialização do arroz, açúcar e milho.

A privatização da água para regadio de culturas agrícolas é uma das medidas acordadas pelo governo anterior, no marco da política neoliberal recomendada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo atual, do presidente Alejandro Toledo, não decidiu ainda aplicá-la. A aplicação do imposto à venda de produtos agrícolas também é parte dessa política.

A greve assumiu contornos muito violentos. Os camponeses, muitas vezes agitados por ideais politizados, bloquearam as rodovias em 35 pontos, destruíram veículos de transporte e colocaram em perigo a integridade física de viajantes.

Diante dessa situação, que se agravou com a adesão de funcionários do Poder Judiciário e da Seguridade Social à greve, o presidente Toledo decretou, no dia 27 de maio, o estado de emergência e a suspensão do direito de reunião, por 30 dias, em 12 dos 24 departamentos do país.

Enquanto as outras greves foram suspensas, a dos professores continua. O exército, que tomou o controle nos departamentos atingidos, restabeleceu o trânsito nas rodovias. Mas a violência continuou se manifestando nas cidades. No dia 28 de maio, um estudante universitário morreu em Puno, durante enfrentamento com militares.

A Conferência Geral de Trabalhadores desafiou, hoje, o estado de emergência ao convocar marchas pelo levantamento do estado de exceção. Em Lima, como nas principais cidades, ocorreram manifestações de massa, mas o chamamento de dom Bambarén para que elas ocorressem sem violência e agressão à propriedade pública e privada surtiu efeito. As manifestações foram pacíficas.

Bambarén conseguiu que o sindicato de professores aceitasse o aumento de 100 soles mensais (cerca de 30 dólares) propostos pelo governo, com a condição de que se estabeleça um cronograma para cumprir a promessa eleitoral do presidente de duplicar o salário dos professores durante o seu mandato, que termina em 2006.

O ministro da Educação, Gerardo Ayzanoa, disse que em 2006 o salário dos professores será de 1.300 soles (cerca de 365 dólares). Bambarén assinalou que existe a disposição de revolver outros pontos da pauta de reivindicações.