Crise venezuelana preocupa presidente da CEV
CARACAS, Venezuela, Junho 2, 2003
Em entrevista publicada no diário El Universal o presidente do Conselho Evangélico da Venezuela (CEV), reverendo Samuel Olson, disse que a atual crise das instituições nacionais e a falta de valorização da cidadania o preocupam.
"Cremos numa postura ideológica democrática fundamentada na dignidade do ser humano feito à semelhança de Deus. O homem é digno de respeito à sua liberdade de consciência, de expressão, de culto, de associação, de criação, de descolamento e de progresso econômico", disse.
Olson também comentou o acordo assinado pelo governo e a oposição, graças à mediação do secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Cesar Gaviria. "Se podemos chegar a uma eleição ou referendum cujos resultados serão respeitados e transparentes em todos os sentidos, isso se refletirá nos valores democráticos e nos darão luz quanto à possível governabilidade da nação", avaliou.
Para o presidente da CEV, "o governante que é sinceramente democrático está disposto a sujeitar-se à maioria, sem que essa maioria seja manipulada de nenhuma maneira".
Quanto à situação do país, Olson afirmou que embora o sistema democrático que a Venezuela experimentou por um bom tempo perdeu a sua autoridade moral, confundindo-se com o partidarismo. "Hoje sentimos que ninguém está ouvindo ninguém", lamentou.
O momento demanda diálogo respeitoso e digno, mas parece que antes perdura o interesse pessoal, ideológico ou partidário. É preciso dar prioridade aos valores do espírito, que não são só religiosos, mas dos quais fazem parte os direitos humanos, defendeu.
Essa aparente surdez está criando desilusão, impotência e desesperança que leva à anarquia, à violência e, por fim, à destruição das instituições que foram criadas para assegurar o cumprimento da justiça, da ordem e da paz, analisou.
Olson indicou que a maior preocupação da Igreja evangélica é a viabilidade econômica da nação, o desemprego, a incapacidade de gerar recursos, o acesso à educação e a seguridade social.
Os evangélicos, disse, querem que seja reconstruída uma sociedade na qual existam instituições autônomas e não só para defender uma ideologia política, mas para o exercício da lei e da justiça.
Nesse sentido, acrescentou, a comunidade evangélica tratou de fazer distintas ações, "precisamente porque há muitos que se converteram em pregadores e tomaram qualquer pódio para pregar, confundir e desvirtuar os símbolos religiosos e convertê-los em objeto de burla".
Informou que a CEV ofereceu pessoas "da mais alta integridade e capacidade profissional para se incorporarem em comissões de trabalho que o solicitaram", mas não foram aceitos. Assim aconteceu com a Comissão da Verdade e com observações durante a discussão da Lei Orgânica do Poder Eleitoral, da Lei de Educação e a respeito da situação carcerária no país.
Como parte desse esforço, mencionou Olson, foi criado o Instituto Cristão de Estudos Sociais, que organiza fóruns mensais convidando pessoas da oposição e da situação.

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