Igrejas preparam Semana de Oração
BRASÍLIA, Brasil, Maio 30, 2003
Católicos romanos, ortodoxos, anglicanos, luteranos, metodistas e presbiterianos vão celebrar juntos, na Catedral da Boa Taxi Heathrow Airport Viagem, em Belo Horizonte, na quarta-feira, 4 de junho, o culto da unidade, integrando a programação da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (1 a 8 de junho), promovida pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).
Assim como acontece na capital mineira, cristãos de centenas de cidades Brasil afora preparam a Semana de Oração, que se realiza a cada ano às vésperas de Pentecostes desde a fundação do CONIC, em 1982. Trata-se do esforço conjunto das igrejas cristãs em afirmar o seu desejo de unidade em torno de Cristo, e de encarar em conjunto os desafios por uma sociedade justa e solidária.
A Semana de Oração de 2003 enfoca a situação dos migrantes, baseando os seus estudos bíblicos no livro de Rute. Livreto preparado pelo CONIC para a Semana destaca a realidade do migrante no Brasil, lembrando que a história das migrações é, de certo modo, a história do próprio país.
O Brasil recebeu 4 milhões de escravos negros nos séculos XVII a XIX. A partir do século XIX, outras população aportaram no país, dentre elas italianos, espanhóis, alemães, poloneses e, mais recentemente, turcos, holandeses, japoneses, chineses, sul-coreanos, sírio-libaneses, judeus, latino-americanos.
As imigrações dos séculos XIX e XX provocaram importante diversificação religiosa no Brasil, destaca o estudo do CONIC. Infelizmente, completa, esse encontro de diferentes denominações cristãs no país não foi isento de conflitos. Imigrações também trouxeram outras tradições religiosas, como o islamismo, religiões orientais, ampliando ainda mais o pluralismo existente.
Nos anos 20 do século passado, apenas 10% da população brasileira viviam em áreas urbanas. De acordo com dados do Censo 2000, 137,6 milhões de pessoas - o que correspondia a 81,22% da população brasileira - vivem em cidades. Nos últimos 35 anos, cerca de 40 milhões de pessoas abandonaram as áreas rurais e foram viver em centros urbanos.
Em São Paulo, um em cada dez paulistanos mora em favelas, ruas, cortiços ou "mocós" (domicílios improvisados). Segundo o estudo do CONIC, as migrações em si representam um fenômeno positivo. Em muitos casos, o migrante experimenta relativa melhoria das condições de vida, encara novas oportunidades, enriquece-se culturalmente.
Mas as migrações também "escondem aspectos negativos ou conflitos, como a expulsão do lugar de residência, o desenraizamento cultural, a desestruturação identitária e religiosa, a exclusão social, a rejeição e a dificuldade de inserção no lugar de chegada".
O CONIC entende que migrar é um direito humano, mas "fazer migrar" é uma violação aos direitos humanos! O organismo ecumênico brasileiro espera que no futuro a Semana de Oração adquira características de uma campanha, com tema próprio, vivida de forma ecumênica pelas igrejas. Ele quer receber reações à proposta das congregações que se engajaram na preparação da Semana.
O livreto motivador da Semana oferece, neste ano, três propostas de celebrações, sugestões adicionais, estudo bíblico sobre o livro de Rute e um breve informe sobre a situação dos migrantes no Brasil.
A orientação básica para os textos da Semana de Oração parte de trabalho coordenado pela Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e pelo Conselho Pontifício pela Promoção da Unidade dos Cristãos, em colaboração com a Comissão Ecumênica de Igrejas Cristãs da Argentina.
A primeira Semana de Oração foi celebrada em 1908, na Igreja Episcopal de Graymoor, no Estado de Nova Iorque, EUA. O reitor da Igreja Episcopal da Inglaterra, reverendo Spencer Jones, sugeriu ao frei Wattson que observasse, a cada ano, um dia de oração pela unidade dos cristãos ao redor do mundo.
Wattson realizou, no mesmo ano, a Semana de Oração, hoje celebrada por milhões de cristãos nos cinco continentes.

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