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Domingo, 28 de Novembro de 2004

O futuro da Igreja passa pelo ecumenismo, diz Küng

MADRI, España, Maio 28, 2003

Só terá futuro uma Igreja radicada originalmente em Jesus e orientada para as tarefas do Taxi Heathrow Airport presente, uma Igreja não confessional e ecumenicamente aberta; uma Igreja não eurocêntrica, que não tenha nenhuma pretensão cristã excluidora, e que seja tolerante e universal.

A visão é do teólogo suíço Hans Küng, que completou 75 anos de vida no último dia 20 de março. Ele foi entrevistado pelo jornal El País, oportunidade em que definiu João XXIII como o papa mais importante do século XX e lamentou as duas caras do papa João Paulo II, uma para fora e outra para dentro da Igreja.

Para fora, João Paulo II "defende a liberdade, os direitos humanos, a justiça, o diálogo e a paz". Para dentro da Igreja ele "revela o rosto obscuro da inquisição, da perseguição dos teólogos críticos, da discriminação das mulheres, do bloqueio da ecumene, e do rechaço da comunidade na comunhão", definiu Küng na entrevista para o El Pais, publicada no dia 23 de março.

O teólogo suíço disse que no pontificado de João Paulo II "fez-se de tudo para expulsar da Igreja de modo especial a geração de mulheres jovens". E isso desde a "obscura encíclica Humanae Vitae contra os métodos contraceptivos" até a sua exclusão do ministério eclesiástico.

A Congregação Romana da Fé, revelou, chegou ao extremo de apresentar como "doutrina infalível" a exclusão da mulher do sacerdócio, como sendo isso da vontade de Deus. Küng classificou essa pretensão de "teatro do absurdo", o que manifesta "a necessidade absoluta de um debate em torno do dogma da infalibilidade".

João XXIII, o papa do Concílio Vaticano, foi o mais importante sumo pontífice do século passado porque introduziu "duas mudanças de paradigma que a Igreja Católica tinha pendentes: o paradigma da Reforma protestante com a revalorização da Bíblia, o culto na língua do povo, a revalorização do papel dos leigos e a prática do ecumenismo".

O outro paradigma que João XXIII introduziu foi o da ilustração e da modernidade, que tomou a sério o mundo secular moderno. Küng é autor de vários livros, entre eles "Uma ética global para a política e a economia mundiais", e "A Igreja Católica", obra que fala da mulher e do cristianismo.


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