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Quarta-feira, 2 de Julho de 2003

Igreja Católica rejeita abertura do comércio aos domingos

SANTIAGO, Chile, Maio 26, 2003

 O secretário geral da Conferência Episcopal do Chile e bispo de Temuco, Manuelo Camilo Vial, Taxi Heathrow Airport pediu às autoridades do governo que apresentem lei mantendo o domingo como dia de descanso.

Em comunicado à imprensa, Vial aludiu à abertura do comércio na capital, nos últimos domingos, quando os comerciários tiveram que trabalhar. O texto, sob o título "Vivamos o domingo em família", sugere que se essa prática for mantida, que sejam estabelecidos turnos para que os trabalhadores possam descansar e compartilhar alguns domingos com familiares.

Embora os bispos chilenos admitam que essa modalidade é aceita pelos comerciários por causa do alto nível de desemprego existente no país, eles assinalam que é dever dos empregadores católicos promover "trabalhos dignos" para seus empregados.

O comunicado anota que "esse costume, que está sendo adotado em nossa sociedade, deve ser analisado de uma perspectiva antropológica, religiosa e familiar".

Ao pedirem que se legisle mantendo o domingo como dia de descanso, os bispos argumentam que "essa convicção se funda, em primeiro lugar, na própria natureza humana". O ser humano precisa descansar, sublinham.

"Numerosas nações desenvolvidas assim o compreenderam, e nelas só alguns centros comerciais abrem suas portas aos domingos. Fazem-no em sistemas de turno e por poucas horas", arrolam.

Os prelados chilenos encaram com preocupação como "muitos homens e mulheres se vêem obrigados a longas jornadas, que se prolongam por causa dos trajetos até os seus locais de trabalho. Não faltam os que prolongam seu trabalho no lar.

Seus filhos dormem quando os pais saem para trabalhar, e às vezes já se deitaram quando os pais regressam cansados à noite. Urge reduzir as horas semanais de trabalho", enfatizam.

O mal é maior, diz o episcopado, é quando os trabalhadores têm que fazê-lo no domingo. A compensação do descanso dominical com um dia livre durante a semana não resolve essa dificuldade, pois é provável que nesse dia, na maioria dos casos, as demais pessoas da família estejam no trabalho ou no estudo.

"Não há horas extraordinárias nem compensação econômica que possa suprir a falta do pai e da mãe nos momentos de vida familiar", enfatiza a Conferência Episcopal.

Os bispos apreciam os avanços da legislação trabalhista chilena, mas, assinalam, como sociedade "não se deveria permitir que a atividade recreativa ou comercial de numerosas famílias se sustente no trabalho extraordinário obrigado de outras".

Isso porque os lares "da nossa pátria não resistem à ausência prolongada dos pais de família, especialmente da mãe, nos dias de festa". Os bispos chilenos lembram que o papa João Paulo II afirmou, em uma de suas encíclicas, que "o domingo é o dia do Senhor; é um dia diferente, e os cristãos o consagraram a Deus com a Eucaristia, o descanso e a oração".