![Walter Altmann, pastor-presidente da IECLB [Foto: LWF-El Salvador]](/picture/Altmann-2003.jpg)
Igrejas devem assumir sua voz profética
Entrevista: Susanne Buchweitz, PORTO ALEGRE, Brasil
Pastor Dr. Walter Altmann, 59, é o novo pastor presidente da Igreja Evangélica de Confissão Taxi Heathrow Airport Luterana no Brasil (IECLB) desde dezembro de 2002, depois de ter sido eleito no Concílio da Igreja realizado em julho do mesmo ano.
Formado em Teologia pela Escola Superior de Teologia (EST), em São Leopoldo, Brasil, Altmann é Doutor em Teologia pela Universidade de Hamburgo, Alemanha.
Foi presidente do Conselho Latino-americano de Igrejas (CLAI) de 1995 a 2001, professor na Escola Superior de Teologia e no Instituto de Pós-graduação em Teologia de 1974 a 2002, reitor da Escola Superior de Teologia de 1981 a 1987, membro da Comissão Internacional de Estudos da Federação Luterana Mundial de 1977 a 1984 e membro da Comissão Brasileira Católico-Luterana de 1974 a 1982.
Também integra a Associação Ecumênica de Teólogos do Terceiro Mundo desde 1982. Os principais assuntos de interesses do novo pastor presidente da IECLB são Teologia da Libertação, Teologia de Lutero e Diálogo Ético e Ecumênico.
Ao assumir a IECLB, Altmann também assumiu o desafio de levar à frente uma igreja que congrega hoje cerca de 716 mil membros, divididos em 18 sínodos distribuídos pelo Brasil.
Tendo passado por uma reestruturação recente em termos de organograma, Constituição e regimentos internos, a IECLB, com a nova presidência, passa a perseguir outras prioridades, como a unidade da igreja, a formação de líderes e uma comunicação mais efetiva com a sociedade.
Na entrevista especial para a ALC, ele fala sobre alguns destes assuntos.
Tendo assumido em dezembro de 2002, o que senhor pode dizer sobre estes primeiros meses frente à Presidência da IECLB?
P. Presidente Dr. Walter Altmann - Em primeiro lugar, o tempo é por demais breve para uma avaliação. Mas encontrei uma situação em que se torna necessário colocar novas prioridades, depois de uma etapa de reestruturação da IECLB e da definição de documentos normativos.
Em nível interno, a IECLB deve se ocupar intensamente, nos próximos anos, com a questão de sua própria identidade, como Igreja Evangélica proveniente da Reforma Luterana, dentro do Brasil. O fortalecimento da unidade da IECLB, na pluralidade de formas e movimentos, também está entre as questões prioritárias. O Plano de Ação Missionária, adotado em 2000 pela IECLB, mas sempre num entendimento de compromisso ecumênico, será outra ênfase.
O senhor poderia explicar um pouco o que significa a questão da unidade da IECLB, que é um dos itens prioritários da sua gestão?
Dr. Walter Altmann - A unidade da Igreja é, antes de tudo, uma unidade espiritual, arraigada em Cristo, ele próprio um com o Pai, como está no Evangelho de João. A partir disto, a unidade se estabelece num sentido teológico.
No caso da IECLB, como Igreja Luterana, a concepção teológica é centrada na liberdade evangélica, na justificação pela fé e no compromisso e amor para com o próximo.
Ao mesmo tempo, na ênfase da capacitação para um testemunho público para dentro da sociedade. Segundo entendimento luterano, unidade não significa necessariamente uma unidade de formas, de cerimônias, de expressões institucionais.
Estas são decididas de acordo com o entendimento contextual da própria igreja enquanto comunidade de fiéis, através de suas assembléias e seus concílios. No entanto, como o pluralismo religioso no Brasil, na América Latina e no mundo em geral, é crescente, é importante que se tenha elementos de identificação de sua confessionalidade.
Como está sendo trabalhado isto na IECLB?
Dr. Walter Altmann - Além de práticas usuais como um plano de ofertas, onde todas as comunidades destinam suas ofertas para um mesmo fim, projetos de solidariedade de ajuda mútua através de recursos humanos e financeiros, a IECLB trabalha sua unidade através de elementos como o seu tema e lema anuais.
Além disto, propusemos recentemente a adoção de temas únicos para oração para determinados períodos (a IECLB já teve dois temas comuns de intercessão: o primeiro, pela paz no mundo, e o segundo, pelo fim da violência no Brasil).
Em maio (dia 12) o senhor teve, junto com outros dirigentes de igrejas e com representantes do CONIC uma audiência com o presidente brasileiro Luis Inácio Lula da Silva. Na sua visão, qual a relação que as igrejas devem ter, de um lado com o governo central e de outro lado com a sociedade, frente ao atual momento político do país?
Dr. Walter Altmann - O presidente Luis Inácio Lula da Silva nos recebeu por ocasião da vinda do secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas, Konrad Raiser, ao Brasil e a Porto Alegre.
Sobre o papel das igrejas, estamos frente a uma situação significativa, com o novo quadro político do Brasil. O governo Lula está colocando clara ênfase no social e espera a participação da sociedade civil, inclusive das igrejas, e programas como o da Fome Zero são um desafio para atuação diaconal das igrejas.
De outra parte, a questão da guerra do Iraque revelou tanto a necessidade como um novo espaço de articulação da voz profética das igrejas para dentro da sociedade. As declarações da IECLB, assim como de outras instituições, contra a guerra foram muito bem recebidas, tanto em nível interno como por parte da opinião pública.
Entre as prioridades da sua gestão, o senhor também cita a comunicação. Como a IECLB vai tratar este assunto?
Dr. Walter Altmann - Para todas as tarefas de unidade da IECLB, de testemunho público da IECLB, para a cooperação ecumênica, a Comunicação é um elemento essencial.
Nos últimos anos, a comunicação na IECLB se desenvolveu em diversas frentes, através de veículos impressos como o Jornal Evangélico Luterano, jornais dos sínodos e outras publicações, e também através da Internet.
Fazendo uma avaliação, pode-se dizer que a comunicação em nível interno e mesmo nas relações ecumênicas tem se desenvolvido muito. O desafio vai ser encontrar melhores canais de comunicação para fora, para a imprensa secular, para a sociedade em geral. Esta área deverá merecer a nossa atenção no futuro.

Portada
Início
Comenta este artigo