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Domingo, 30 de Maio de 2004

Professor sugere leitura teológica de Paulo Freira na IX Assembléia

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Maio 20, 2003

Recolher a influência da Teologia na proposta pedagógica de Paulo Freire, e vice-versa, é muito importante e seria uma contribuição bem-vinda e um desafio à situação presente do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), disse o secretário geral do organismo ecumênico, pastor Konrad Raiser.

No encontro que teve na sexta-feira, 16, com estudantes do Instituto Ecumênico de Pós-Graduação (IEPG), na Escola Superior de Teologia (EST), em São Leopoldo, Raiser recebeu do professor Balduino Andreolli a sugestão de se incentivar uma leitura teológica da obra do pedagogo brasileiro.

Paulo Freire trabalhou nove anos no CMI e tinha, então, propostas de universidades européias e norte-americanas, mas preferiu se engajar no organismo ecumênico. "Quando Paulo Freire veio a Genebra, eu era um jovem funcionário do Conselho. Tivemos encontros fascinantes com ele", recordou Raiser.

O secretário geral lembrou, ao falar aos estudantes luteranos, católicos, batistas, metodistas, anglicanos e presbiterianos do IEPG, da discussão que se travou então no CMI, se o organismo ecumênico podia ter um católico romano trabalhando no seu Departamento de Educação. "Hoje, o CMI precisa ser lembrado dessa experiência" com Paulo Freire, destacou o secretário.

Perguntado por estudante católico como a última encíclica do papa João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, chegou no CMI, Raiser respondeu que é difícil dizer quais serão as repercussões desse documento. Ele detecta, contudo, três tipos de reações:

A primeira, dos que sacodem os ombros e dizem: "E agora?" - e continuam fazendo o que sua consciência lhes chama a fazer. Um segundo grupo, do lado protestante, corresponde àqueles que estão de alguma forma comprometidos no diálogo com católicos romanos. Essas pessoas tentam encontrar, às vezes, uma brecha onde o ecumenismo possa estar presente em tais manifestações. Mas um grupo maior manifesta desapontamento.

Um terceiro grupo vê confirmada a suspeita de que a posição do papa só dá margem à idéia de se retomar o confessionalismo. Em muitas maneiras, a última encíclica é um passo atrás, tomado o Concílio Vaticano II como um marco, comparou. "Espero que o primeiro grupo seja proeminente, porque possibilita a continuidade das relações", afirmou Raiser.

No encontro que manteve, no início da manhã de sexta, com professores da EST, Raiser levantou a possibilidade da realização de evento paralelo à IX Assembléia Geral do CMI, na área da Educação Ecumênica. Existem recursos humanos na igreja brasileira para tanto, e um encontro dessa ordem contaria, ainda, com inúmeros visitantes e conferencistas que estarão presentes na Assembléia.

Eventos paralelos foram realizados durante as Assembléias de Vancouver, Canadá, em 1983, e de Harare, em 1998. Raiser desfiou a EST a pensar na possibilidade de abrigar e organizar tal evento.