
Teólogo batista analisa conseqüências da guerra para o cristianismo
CALI, Colombia, Maio 20, 2003
O teólogo Pablo Moreno, reitor do Seminário Batista Internacional de Cali, Colômbia, disse, ao refletir Taxi Heathrow Airport sobre a recente guerra desencadeada no Iraque, que o papel do religioso no conflito não foi tangencial e que suas conseqüências são importantes para o cristianismo.
No Iraque existe uma diversidade religiosa islâmica importante, mas também há cristãos que seguramente lutaram por décadas para demonstrar sua fé e seu amor no dia-a-dia, apesar da relação que lá se estabeleceu entre cristianismo e cultura ocidental, apontou Moreno.
É possível que os fatos recentes corroborem as suspeitas que acompanharam a evangelização entre os muçulmanos. Esse será um problema para a missão da igreja no futuro próximo; as resistência poderão aumentar e a credibilidade diminuir, alertou.
Outro problema, mais de consciência do que da prática evangelizadora em si, é a pergunta que cristãos que estão longe do Golfo Pérsico se fazem: Essa guerra era necessária?
"Talvez nossa resposta tenha afetado pouco as decisões que os aliados tomaram para decidir a guerra, mas em relação ao nosso testemunho e consciência os efeitos foram distintos", sublinhou.
Muitas igrejas opuseram-se abertamente à guerra, outras decidiram apoiar seus governos. Aparte de tomar uma postura frente à guerra, também era preciso refletir a respeito da mesma, indicou o reitor.
Moreno entende que foi feita pouca reflexão sobre a ética que respalda uma ou outra opinião. "Entre os que estiveram contra a guerra houve apelação à defesa da vida, e entre os que a apoiaram ouvia-se falar sobre a sua necessidade para erradicar um mal pior, com o propósito de defender o bem comum", arrolou.
O teólogo disse que é preciso recuperar o valor supremo da vida, o que deve acontecer a partir do compromisso com o Deus da vida e não "a partir das nossas éticas particulares, construídas do que somos acima do que devemos ser", opinou.
Uma tarefa nada fácil, admitiu, porque "estamos diante do `crepúsculo do dever', o que para alguns é um estado desejável. A norma que prevalece hoje é: `se funciona, é bom'; assim, o que dá resultado hoje vira regra amanhã, aplicável universalmente como panacéia para todos os problemas", afirmou.
De guerra em guerra, enfatizou Moreno, as nações não aprendem nem esquecem, muito menos os seus governantes. Há pouco mais de dez anos, governantes similares se enfrentaram na Guerra do Golfo, com resultados catastróficos para uns e vitória de Pirro para outros.
A história lhes deu uma nova oportunidade para reorientarem seus caminhos, mas a insaciável ambição de uns e a obstinação de outros não fizeram mais do que conduzi-los a uma nova guerra, com resultados previsíveis, apontou.
Não apenas previsíveis quanto a ganhadores e perdedores, mas também quanto à magnitude da catástrofe humana, cultural e ecológica. Agora fica evidente o que todos suspeitavam, a primazia do econômico sobre o político e a supremacia da força sobre a razão, afirmou o reitor.

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