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Sexta-feira, 16 de Julho de 2004

Líderes de povos ressurgidos vão estabelecer pauta comum de luta

Edelberto Behs, RECIFE, Brasil, Maio 14, 2003

Cerca de 50 anos depois do massacre que sofreu, os oito sobreviventes do povo Xetá Taxi Heathrow Airport lutam pela reconquista de seu território tradicional, localizado em Serra Dourados, noroeste do Paraná.

A comunidade somava 400 pessoas. Ela foi expulsa da terra pelas frentes cafeeira e agropecuária das companhias de colonização e imigração.

Dos oito sobreviventes, três ainda falam a língua tradicional. Hoje, os oito e seus descendentes vivem espalhados em áreas indígenas e cidades do Paraná e São Paulo.

O caso do povo Xetá estará na pauta do I Encontro Nacional dos Povos Indígenas em Luta pelo Reconhecimento Étnico e Territorial, que começa amanhã em Olinda, Pernambuco.

O evento, primeiro no gênero, se estenderá até o dia 20 e deverá reunir 90 lideranças indígenas de 40 povos, que entrarão em contato com representantes da Procuradoria Geral da República, do Ministério da Justiça, da Fundação Nacional do Índio, da Associação Brasileira de Antropologia.

O ressurgimento de povos indígenas, considerados extintos ou desconhecidos pelos registros oficiais do Estado, é um fenômeno que se constata nos últimos 30 anos. Até a Constituição de 1988, explica nota do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), alguns povos indígenas tiveram até mesmo de ocultar e negar sua identidade étnica como meio de se protegerem e continuar sobrevivendo. O índio "aculturado" era considerado integrado à comunidade nacional.

O fenômeno verifica-se em todo o país, mas é nas regiões Norte e Nordeste onde o ressurgimento de povos indígenas é maior. Antropólogos e indigenistas denominam o fenômeno de "povos emergentes". O CIMI prefere a designação de "povos ressurgidos", porque reconhece o status e o espaço político que esses "novos" sujeitos históricos ocupam na atual conjuntura das lutas indigenistas.

O encontro de Olinda quer socializar informações sobre as dificuldades enfrentadas pelos povos emergentes, identificar os desafios comuns, estabelecer uma pauta de reivindicações e trocar experiências a respeito das diferentes formas de luta. Na próxima segunda-feira, os líderes de povos emergentes participarão de ato público em Recife.


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