Igrejas pedem que autoridades e sociedade acabem com as incertezas
LA PAZ, Bolivia, Maio 9, 2003
Numa terceira Carta Pastoral Ecumênica, líderes das igrejas Católica, Anglicana, Luterana, Metodista e Metodista Pentecostal Taxi Heathrow Airport pedem ao povo boliviano em seu conjunto e ao governo nacional que dêem fim a atual situação de incertezas que a nação vive.
"Depois dos lamentáveis enfrentamentos, com saldos trágicos de mortos e feridos, em fevereiro passado, podemos dizer que essa situação, ainda não resolvida, continua ameaçando seriamente a convivência cidadã e a viabilidade democrática do país", diz a carta.
Acrescente-se a isso a precária situação econômica, a insegurança da cidadania, a impunidade e a falta de esclarecimento dos tristes fatos. Apesar das tentativas positivas de parte do governo para reverter a situação, propaga-se a incerteza e o temor de que não seja restabelecida a justiça, base fundamental do exercício dos direitos sociais e econômicos do povo, anotam os bispos e pastores.
Tudo isso ocasionou – como é de conhecimento público – uma crise política, que, para o seu tratamento, requer novos cenários na sociedade política e todas as forças vivas do país, advertem os líderes religiosos bolivianos.
"Exortamos os governantes, os dirigentes políticos, os dirigentes sindicais, os representantes empresariais e a todas as instituições e organizações do país, para que empreendam os maiores esforços para atender os clamores do povo", expressa o documento das igrejas.
O documento pede, ainda, unir vontades políticas para que se consiga fazer do diálogo um autêntico instrumento que conduza a soluções viáveis, concretas e concertadas; não caindo na tentação fácil de recorrer à violência e utilizando antes positivamente os melhores recursos humanos e materiais do país, no marco das normas vigentes.
"Esse esforço político e vontade ética que demandamos dos governantes, bem como da oposição, deve partir do reconhecimento que, como bolivianos, assistimos a uma crise de confiança e credibilidade nas instituições e organizações políticas do país", diz a casta pastoral ecumênica.
Isso exige que se assuma um papel ético, que se despoje definitivamente de tentativas autoritárias como meios para preservar a institucionalidade ou para destrui-la. É preciso assumir um papel de facilitadores de consenso em nível político, econômico, social, construindo cenários para a abordagem dos problemas e para assegurar a sobrevivência de todos os bolivianos e do país, alegam.
Assinam a Carta Pastoral Ecumênica o arcebispo de La Paz, Edmundo Abastoflor, o bispo da Igreja Episcopal Anglicana, Francis Lyons; o bispo da Igreja Evangélica Metodista, Carlos Intipampa; o pastor-presidente da Igreja Evangélica Luterana, Humberto Ramos; o pastor Martín Krauss, da Igreja Luterana de fala alemã; os bispos católicos Gonzalo del Castillo, Oscar Aparicio, Toribio Ticona; o bispo da Igreja Metodista Pentecostal, Nestor Vargas; o bispo emérito da Igreja Evangélica Metodista da Bolívia, Rolando Villena.

Portada
Início