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Sábado, 24 de Maio de 2003

Internet facilita acesso de crianças à pornografia

LIMA, Perú, Maio 8, 2003

Pesquisa da organização não-governamental Ação pelas Crianças, realizada em 36 distritos da Grande Lima e Taxi Heathrow Airport em Callao, mostrou que 89,6% das crianças e adolescentes utilizam as cabinas públicas para acessar a Internet. Desse total, 21,8% procuram material pornográfico. Foram ouvidos 403 meninos e meninas, de 11 a 17 anos.

Crianças e adolescentes têm acesso a material pornográfico através de cabinas públicas (55,7%), quiosques de jornais e revistas (19,3%), em casa (18,2%), no colégio (14,8%), em locais informais (8,0%).

Do total de crianças e adolescentes que navegam por sítios pornográficos, 45,5% o fazem através de um amigo; 27,3% por publicidade direta nas cabinas públicas; 20,5% incentivados por revistas, 11,4% por fotos; 10,2% o fazem por conta própria, 8% motivados por chats, 6,8% por correio, 6,8% pela televisão e 4,5% por vídeos e jogos.

A pesquisa revelou que 72,3% do universo levantado ingressam na Internet sem a supervisão de um adulto, e apenas 27,7% têm controle de algum familiar.

Quanto à freqüência de acessos, 39,7% dos 403 meninos e meninas pesquisados o fazem dia sim, dia não; 9,7% diariamente; 9,2% uma vez por semana; 3,5% quinzenalmente; 4% mensalmente, e 2,5% ingressam duas vezes por semana. Dos entrevistados, 18,5% não têm acesso ao serviço.

Segundo a pesquisa, as crianças e adolescentes ingressam na Internet por mais de um motivo. Em primeiro lugar, o estudo aparece em 57% dos casos; 52,7% o fazem por causa do chat; 34,1% para jogar, 7,6% para buscar informações e 1,5% para revisar correio eletrônico.

Do universo pesquisado, 65% responderam que vêem material pornográfico por curiosidade; 41,9% porque amigos os provocam; 8,9% por instigação de adultos; e 0,7% por falta de orientação.

Admitiram que acessar material pornográfico distorce, como conseqüência, o seu desenvolvimento emocional (49,6%); gera comportamento sexual prematuro (37,5%); provoca ansiedade (20,3%); medo (15,6%). Apenas 6% o aceitam como um fato normal.

As crianças ouvidas disseram que uma das formas de brecar o acesso a sites pornográficos ou de comprar materiais pornográficos é eliminar a exibição dessa oferta em lugares públicos (39%); outra modalidade é limitar a venda e distribuição de jogos com conteúdos pornográficos (31,8%).

Um total de 31% dos entrevistados pediu que os pais sejam mais vigilantes, e 28,3% sugeriram que se restrinjam as páginas de pornografia na Internet para crianças. Mais de um quinto (22,3%) propôs campanhas de prevenção nos meios de comunicação de massa e 16,6% sugeriram que professores os orientem a respeito.

Os pesquisados também opinaram sobre aplicação de penas para quem promove a pornografia infantil: prisão (46,4%), prisão perpétua (32,3%), fechamento dos estabelecimentos que permitem o acesso a material pornográfico (26,3%), multas (11,4%) e pena de morte (10,4%).

Boa parte dos entrevistados (77,2%) entende que as autoridades pouco ou nada fazem para impedir a pornografia infantil, e que cabe ao Ministério da Mulher e Desenvolvimento Social assumir esse problema.