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Segunda-feira, 12 de Maio de 2003

Consulta analisa papel das igrejas na globalização

BUENOS AIRES, Argentina, Abril 30, 2003

No segundo dia da Consulta "Globalizar a vida plena", em andamento nesta capital até amanhã, Taxi Heathrow Airport representantes de igrejas evangélicas da América Latina e do Caribe condenaram abertamente a globalização. Cerca de 100 representantes evangélicos latino-americanos e caribenhos participam do encontro.

Ao debater o problema "pobreza/riqueza", ontem, a Consulta teve o confronto de pontos de vista divergentes, defendidos por representantes de contextos regionais distintos. Alguns oradores criticaram o papel legitimador das políticas excludentes, que as igrejas às vezes desempenham.

As palestras apresentadas exploraram o tema do ponto de vista dos indígenas latino-americanos, das igrejas européias e das organizações ecumênicas, informou o serviço de imprensa do Conselho Mundial de Igrejas (CMI).

Julián Guamán, teólogo indígena do Equador, trouxe uma visão crítica da globalização, definindo-a como um "polvo que absorve tudo para o seu centro". Guamán explicou que entre os indígenas, pobre é aquele que não tem terra para cultivar.

Disse que no Equador os indígenas tem "pedaços" de terra que variam de 100 metros quadrados a 13 hectares. Denunciou os latifundiários, que "queimam" a terra por causa do uso intensivo de fertilizantes.

Peter Pavlovic, representante da Conferência de Igrejas Européias, uma das organizadoras do encontro, entende que o processo globalizador tem traços positivos para os países da Europa central e oriental. Enumerou, ente eles, a mobilidade, a comunicação e o acesso à democracia, lembrando que esses países viveram mais de meio século sob um regime totalitário.

Pavlovic reconheceu certos efeitos negativos da globalização. "Há uma queda muito rápida da solidariedade", admitiu. Mas sublinhou que a ecologia não era uma prioridade durante a época da Cortina de Ferro, enquanto que agora, graças à globalização, ela está na agenda desses países. "Não há respostas fáceis diante de um problema tão complexo", disse.

Bob Goudzawaard, da Igreja Reformada Holandesa, advertiu que os efeitos negativos da globalização também são registrados nos países desenvolvidos, onde aumenta a pobreza e a brecha entre os mais ricos e os mais carentes da sociedade.

O holandês frisou que empobrecimento e enriquecimento caminham unidos. Como exemplo, recordou que nos Estados Unidos, um de cada quatro crianças sofre fome, e reclamou que os países mais industrializados ponham limite a seu crescimento.

Os participantes da Consulta concordaram que a intervenção das igrejas diante da pobreza é sobretudo assistencial, embora reconheceram que "algumas igrejas tentaram elaborar um conceito de desenvolvimento transformador entre os setores pobres".

As igrejas, denunciaram alguns participantes, foram "um elemento de privatização da assistência social". Por esse caminho, acrescentaram, "as igrejas se convertem em agentes legitimadores de políticas de exclusão social, e sua ação concentra-se em mitigar a pobreza, não em resolvê-la".

A Consulta propôs às organizações ecumênicas, como o Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), outro organismo organizador do evento, que divulguem conceitos alternativos de propriedade, baseados na Bíblia.

Também propuseram a participação de cristãos em espaços de decisão política em nível local, regional e nacional; o fortalecimento das economias alternativas solidárias; a abertura de canais para que o sul e o norte troquem informações que ajudem o conhecimento mútuo.

Além do CLAI, do CMI, e da Conferência de Igrejas Européias, também a Aliança Bíblica Reformada Mundial auspicia o encontro.