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Segunda-feira, 12 de Maio de 2003

Israel Batista, secretário geral de CLAI [Foto: FOS]
Israel Batista, secretário geral de CLAI [Foto: FOS]

Igrejas evangélicas pedem que governos não paguem dívida externa

BUENOS AIRES, Argentina, Abril 29, 2003

Representantes de igrejas evangélicas latino-americanas, reunidos nesta capital, trabalham documento que pede aos governos do Taxi Heathrow Airport continente para que não paguem a dívida externa. O texto conclama os credores para que perdoem a dívida e propõem reformas nas instituições financeiras internacionais.

A Consulta "Globalizar a vida plena" reúne, até o dia 1 de maio, mais de 100 representantes, provenientes, na sua maioria, de países da América Latina e do Caribe, mas também da Europa, América do Norte, Ásia, África e Oceania. O encontro foi convocado pelo Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Aliança Reformada Mundial (ARM), e a Conferência de Igrejas Européias (CEC).

O documento tem por título "Buscando saídas... caminhando adiante. As igrejas evangélicas dizem basta!". Ele foi levado à discussão em plenário ontem, durante o primeiro dia da Consulta.

Ao apresentar o documento, o secretário geral do CLAI, Israel Batista, disse que os países da região dependem, no marco de uma globalização que exclui, "da economia informal ligada ao tráfico de drogas, de armas e de seres humanos. Nossos países são exportadores de capital por causa da dívida externa e de recursos humanos através das migrações de massa".

Como igrejas evangélicas, explicou, "queremos falar a partir da prática pastoral e do acompanhamento aos necessitados de ajuda que batem à nossa porta. Não pretendemos ser economistas ou ter soluções aos males que nos afligem. Não é a economia o que nos preocupa, mas o sistema econômico que degrada o ser humano".

Israel frisou que a igreja evangélica quer contribuir, com espírito construtivo, na busca de soluções eficazes para os males que atingem as sociedades da região. "Queremos persistir em falar de uma nova visão econômica que coloque a vida do ser humanos como centro de sua ação", acrescentou.

O que se denomina de globalização é o atual momento do capitalismo, afirmou, ou seja, de um regime econômico baseado na dominação de certos grupos sociais, exercida através de instituições políticas e instrumentos culturais.

Diante do caráter perverso da globalização neoliberal, que na América Latina provocou o aumento da pobreza e da exclusão, a deterioração das condições de vida e da queda de nível da produção, as igrejas evangélicas dizem: Basta!

O documento chama os governos do continente para que se unam e tenham, assim, a coragem e a vontade política de não pagar essa dívida que é "imoral e impagável".

Pede, ainda, que os governos latino-americanos exerçam a "desobediência econômica" dos "ditames dos organismos financeiros internacionais", deixando de lado a compreensão de que "fora do sistema não há salvação".

Sem a dívida e sem o jugo do Fundo Monetário Internacional, a América Latina e o Terceiro Mundo poderiam ter acumulado capital necessária para se encaminharem a um crescimento à escala demandada pelas necessidades de seus povos, afirma o documento.

O documento também assinala que as igrejas evangélicas da região deixam de ser uma minoria sem transcendência e passam a ser uma minoria propositiva, facilitadora e motivadora de mudanças.

Ao pedir a reformulação das instituições financeiras internacionais, como o FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, o documento preconiza que elas articulem "o econômico com o ético e o social", incluindo "o respeito e a promoção dos direitos humanos".

Enfatiza a conveniência de se criar instituições públicas internacionais que regulem os mercados de capitais e que fortaleçam o direito internacional. Os evangélicos propõem uma integração econômica "com rosto latino-americano", cujos traços não coincidem com os desenhados pela Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), proposta pelos Estados Unidos.

O documento também tem um capítulo teológico, que remete a uma série de paradigmas bíblicos, articulados em torno do fio condutor da graça de Deus. Esses paradigmas são os que dão sustento à esperança de que "um mundo diferente é possível".

O documento, disse Batista, é um convite ao realismo e ao rompimento de estereótipos, mas ao mesmo tempo é um chamado a romper o fatalismo que condena a não procurar soluções dos problemas da região. "Ser realista é acreditar em milagres", proclamou.

"Não apostamos em soluções únicas, nem por respostas simplistas. Reconhecemos a necessidade de soluções plurais, de acordo com cada país. Mas cremos que é importante acordos mínimos que nos permitam sentar as bases distintas para um mundo diferente", advertiu Batista.

Na primeira rodada de discussão do documento, os participantes da Consulta concordaram em qualificar o texto como "atual, concreto, propositivo e profético", e de trazer um bom reflexo do que está se passando na parte sul do mundo.

Propuseram incluir nos temas enfocados as elites políticas, o fenômeno da corrupção, a violência social e militar, as migrações e a destruição da natureza. Também recomendaram incorporar uma perspectiva de gênero e fazer referências a outras regiões do mundo.

Depois de sua redação final na Consulta, o documento será uma ferramenta importante no trabalho de advocacia que o CLAI pretende desenvolver perante os governos dos Estados Unidos, do Canadá e das instituições financeiras internacionais.