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Segunda-feira, 12 de Maio de 2003

 [Foto:CMI]
[Foto:CMI]

Andar no mundo com fé e esperança, recomendam jovens

BUENOS AIRES, Argentina, Abril 28, 2003

Jovens de 14 países, que participaram do seminário sobre Juventude e Globalização, convocado pelo Conselho Taxi Heathrow Airport Latino-Americano de Igrejas (CLAI) e o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), viram o impacto da globalização nas sociedades e nas pessoas da região.

"Exortamo-nos e exortamos a todos para que andem pelo mundo com fé e esperança", uma esperança que "descansa na convicção de que nossos esforços não serão em vão", graças à fé "que nos move a lutar pela defesa da vida nesta terra", diz a declaração emitida pelo seminário, reunido em Ramos Mejía, subúrbios de Buenos Aires, dias 24 a 27 de abril.

O encontro tratou do lema "Fé e esperança viva", e debateu a globalização, a dívida externa, o comércio internacional e suas conseqüências sobre a juventude e as igrejas. A maior parte dos jovens era da América Latina. Mas do encontro também participaram representantes dos Estados Unidos e da Europa.

Exclusão, desemprego, perda de identidade cultural, consumismo, má distribuição da riqueza, crise ecológica e outras calamidades são decorrentes do processo de globalização, da dívida externa e do comércio internacional injusto, apontaram os jovens.

A transnacionalização da economia mundial, diz a declaração, significa que as empresas se movem "livremente pelo planeta buscando a mão de obra mais barata, o meio ambiente menos protegido por leis e regulamentos, o regime fiscal mais favorável e os subsídios mais generosos".

Por conseguinte, aprofundam-se "os processos de pauperização dos mais pobres, para os quais a vida, ao invés de ser um dom de Deus, transformou-se numa verdadeira tragédia", arrolam.

Frente a essa realidade, opinou Joyce Torres, 29 anos, de São Paulo, "é preciso fazer valer o que cremos: um reino de Deus com justiça que garanta os direitos humanos de todas as pessoas. Se nos unirmos, teremos mais força para enfrentar essa situação adversa", argumentou.

Um dos resultados da globalização é que existem um "Brasil oficial", onde vive a elite dominante, um "Brasil virtual", composto pelas telenovelas e a internet, e um "Brasil real", uma "terra de exclusão e lugar de conflitos sociais", apontaram os jovens brasileiros presentes ao encontro.

No Paraguai, arrolaram jovens paraguaios falando das conseqüências da globalização, "muitas crianças estão perdendo sua infância, trabalhando em lugar de ir à escola, mendigando nas ruas, dormindo nas veredas". Jovens "seguem pelo caminho da drogadicção, do alcoolismo e da prostituição".

As igrejas cristãs, defenderam os jovens, devem trabalhar unidas e junto com os múltiplos movimentos sociais comprometidos com a vida humana. Eles propuseram a realização de um fórum sobre alternativas econômicas ao neoliberalismo e à globalização capitalista, no marco da próxima Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), agendado para Porto Alegre, em 2006.

Sublinharam a necessidade de uma "verdadeira doutrina social cristã", que expresse os fundamentos cristãos de uma sociedade baseada no evangelho, que convoque as igrejas e as instituições educacionais, e especialmente os jovens em seus locais de ação cotidiana, para o político, o social, o econômico e o cultural.

O seminário foi realizado em meio à campanha política prévia à eleição presidencial na Argentina, que ocorreu no dia 27 de abril. Um dia antes, os participantes do encontro visitaram um dos bairros mais pobres de Buenos Aires, na zona conhecida como Bajo Flores, onde cerca de 50 mil pessoas sobrevivem num ambiente de postergação e miséria.

Elizabeth Jiménez, 24 anos, estudante de medicina da República Dominicana, disse que conhece uma realidade similar em seu país. "Só que aqui estão mais unidos e mais organizados e por fim podem trabalhar melhor e com mais benefícios", comparou.

O norueguês Freddy Knutsen, responsável pelo programa de juventude do CMI, destacou que esse tipo de evento serve para que os jovens vejam quais são os desafios do momento e percebam qual é o verdadeiro impacto da globalização nas pessoas.

O essencial, disse, foi "descobrir que possibilidades os jovens da América Latina têm de enfrentar essa situação e propor alternativas". O encontro de jovens precedeu a consulta continental "Globalizar a vida plena", convocada pelo CLAI e o CMI, que também terá lugar em Buenos Aires, aberta hoje e que se estenderá até o dia 1 de maio.