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Sábado, 20 de Novembro de 2004

Evangélicos rejeitam reforma tributária

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Abril 24, 2003

 As igrejas evangélicas, ONGs, ministérios cristãos e setores populares estão alarmados com os novos impostos Taxi Heathrow Airport que estão inseridos no projeto de lei de eqüidade de reforma tributária. Pelo projeto, até as doações de medicamentos e roupas usadas pagarão impostos.

O Conselho de Igrejas Evangélicas Pró-Aliança Denominacional (Cepad) alertou seus comitês pastorais e igrejas membros para que elevem sua voz de protesto.

O Conselho convidou o segundo vice-presidente da Assembléia Nacional, Orlando Tardencilla, e a ex-deputada Dora Maria Téllez, para realizarem uma análise da crise social e política que a Nicarágua enfrenta e esclarecerem qual será o impacto sobre a sociedade que a reforma tributária terá.

Em assembléia do Cepad, Tardencilla garantiu que até aquele dia, 22 de abril, nada sabia a respeito do projeto de reforma tributária, porque o Executivo o mantém em segredo e deverá enviá-lo esta semana ao Legislativo. "Tenho me inteirado extra-oficialmente a respeito", disse, deduzindo que vem impostos ocultos que vão atingir os mais pobres. As igrejas também serão afetadas.

A prioridade da Assembléia será a aprovação da lei de igualdade de oportunidades, que favorece as mulheres. A nova lei proíbe a comercialização da mulher, razão pela qual um setor empresarial se opõe ao projeto e tenta manipulá-lo, alegando que a lei promove o aborto ou que homossexuais se casem.

Tardencilla disse que vai solicitar reformas dos artigos polêmicos da lei. Católicos e os evangélicos filiados na Aliança Evangélica se uniram para rechaçar o projeto.

Na Nicarágua, disse Tardencilla, de 25 mil profissionais somente quatro mil pagam impostos. Há universidades privadas amparadas em fundações ou ONGs que não pagam impostos, mas cobram até 200 dólares ou mais de mensalidades de seus estudantes. "Há funcionários públicos que ganham 5 mil a 8 mil dólares e têm outros cargos na docência ou como assessores e só pagam impostos como funcionários públicos", revelou.

A ex-ministra da Saúde no governo sandinista, Dora Maria Téllez, afirmou que até o arroz será taxado com mais impostos com essa nova reforma tributária. Não há a menor dúvida, garantiu, que as cooperativas serão atingidas com a medida, também as igrejas, pois vão pagar impostos sobre doações que vêm às comunidades rurais.

"O que se precisa é vontade política para que os mais ricos paguem e não se atinjam os pobres" com essa nova reforma, assegurou. Há setores empresariais que não pagam impostos e outros somente pagam uma quota fixa, revelou.

O delegado do Cepad no Atlântico Norte, Rufino Lucas, disse que os deputados sempre se esquecem da Costa Atlântica, onde o custo da cesta básica é o dobro da praticada na região do Pacífico, porque o galão de gasolina custa um dólar e meio.

O diretor de programas do Cepad, professor Gilberto Aguirre, denunciou, em alta voz, que a maioria dos políticos verdes, vermelhos, vermelhos e pretos e de outras cores destruíram o país conduzindo-o à pobreza, ao usurparem os bens para enriquecer-se.

O presidente da Aliança Evangélica da Nicarágua, pastor Roberto Rojas, declarou, ao ser entrevistado, que é contrário à reforma tributária. Anunciou um pronunciamento enérgico das igrejas, porque está bem claro que ela prejudicará as comunidades mais pobres da Nicarágua.

Também o pastor Adolfo Siqueira, presidente do Centro Intereclesial de Estudos Teológicos e Sociais (Cieets), rechaçou toda e qualquer reforma que venha a agravar a situação com mais impostos.


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