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Quinta-feira, 8 de Maio de 2003

Pastoral católica celebra Semana dos Povos Indígenas

BUENOS AIRES, Argentina, Abril 23, 2003

Começou no Dia Pan-americano do Índio, celebrado a 19 de abril, a Semana dos Povos Taxi Heathrow Airport Indígenas na Argentina (19 a 25 de abril), organizada em conjunto pelas comunidades aborígenes da Argentina e a Pastoral Aborígene (Endepa), organismo vinculado à Igreja Católica.

O Dia Pan-americano do Índio foi introduzido numa reunião de antropólogos, realizada na Cidade do México, em 1941. Em 1984, reunião das organizações católicas que defendem os direitos dos nativos acordou que um dia apenas era insignificante, pois passa desapercebido à sociedade, estendendo, por isso, a celebração para uma semana.

Com esse prazo é possível ter mais tempo para realizar reuniões, encontros, marchas, brindando ao aborígene um lugar ativo na história, já que ele passa a ser o próprio porta-voz de sua realidade, cobrando mais relevância e visibilidade na sociedade, explicou o sacerdote Francisco Nazar, pároco de Las Lomitas e ex-coordenador nacional da Endepa.

A 29ª edição da Semana dos Povos Indígenas, de 2003, é apresentada à sociedade sob o lema "Os povos indígenas respeitam a terra e a necessitam".

A programação da Semana é variada. Hoje, quarta-feira, as comunidades huarpes marcharão pelas ruas de Mendoza, quando entregarão ao Legislativo e ao governador dessa província do norte da Argentina a reivindicação de que entreguem aos índios o título das terras ancestrais.

A petição vem acompanhada de mais de 8 mil assinaturas de adesão de diferentes instituições e organismos nacionais, como a Equipe Diocesana de Pastoral Aborígene de Mendoza (Edipam).

"Nossos antepassados encontraram refúgio nessas lagunas, para salvar suas vidas. Nós, seus descendentes, sobrevivemos nessas terras, sem cercas de arame ou porteiras, apesar das privações ou da inclemência climática", argumentaram os chefes huarpes em comunicado.

Para os huarpes, "depois da festa religiosa, um dos momentos mais lindos de nossa vida de estancieiro é a campeada, a recolhida do gado em campo aberto para impor aos animais nossa marca e sinal, que constitui o único bem privado, além da nossa casa, do poço e do curral", relataram na nota.

Eles pedem "um pouco mais de respeito para a nossa cultura, nossos direitos e nosso povo". E expressam agradecimento à Universidade Nacional de Cuyo, que ofereceu aos huarpes dez bolsas de estudo em curso superior. Os índios reconhecem que, sem essas bolsas, seria impossível seus filhos cursarem uma faculdade.