Igreja Episcopal dos EUA comenta decisão cubana
NOVA IORQUE, Estados Unidos, Abril 21, 2003
A decisão da Igreja Episcopal de Cuba (IEC) de renunciar à reunificação com a Igreja Taxi Heathrow Airport Episcopal dos Estados Unidos (ECUSA, a sigla em inglês) significa que aquela continuará funcionando como uma igreja anglicana "autônoma", supervisionada por um Conselho Metropolitano, presidido pelo arcebispo do Canadá, Michael Peers. O assunto foi comentado por Jan Nunley, do Serviço Episcopal de Notícias.
Nunley historiou a evolução do caso. O Sínodo anual ordinário da IEC, reunido em Matanzas, em fevereiro passado, votou contra a reunificação solicitada um ano antes. No último Sínodo, 11 clérigos e 17 leigos votaram contra a reunificação e oito clérigos e 31 leigos votaram a favor da mesma. Para uma decisão dessa envergadura, reza o estatuto, é preciso o voto da maioria, tanto de leigos como de clérigos.
Em janeiro deste ano, o bispo diocesano de Cuba, Jorge Perera, anunciou sua retirada do cargo. O bispo Julio César Holguín Khoury, da República Dominicana, foi nomeado bispo interino de Cuba. Agora, um terceiro Sínodo, que deverá acontecer no terceiro trimestre deste ano, vai escolher um novo bispo.
O reverendo Juan Márquez, funcionário de Relações Internacionais de ECUSA, relatou que a IEC aprovou, em fevereiro de 2002, uma resolução solicitando sua readmissão como diocese da Igreja norte-americana. A Comissão Permanente de Missão Mundial da ECUSA foi a Havana, em outubro do ano passado, para falar a respeito desse pedido com os anglicanos de Cuba.
"Havia um problema, porque a IEC pedia sua readmissão numa base provisional ou temporal", explicou Márquez. Ela pensava na possibilidade de unir-se a outra estrutura provincial da região, segundo projeto anterior, de criação da Província Episcopal do Caribe, composta pelas dioceses da República Dominicana, Haiti, Porto Rico e Cuba. Esse projeto foi postergado.
A Comissão disse à IEC que a reunificação teria que se dar numa base permanente. Isso não significava que um dia ela não pudesse vir a separar-se de novo, ressalvou Márquez. "Está claramente determinado, e os cubanos o entenderam perfeitamente, que se se uniriam à ECUSA podiam deixá-la. Portanto, podiam deletar a condição de uma readmissão provisória", afirmou.
Como a Comissão tinha que terminar o seu relatório para a Convenção Geral de 2003, ela pediu à IEC que enviasse uma resolução modificada. Para tanto, a IEC convocou um Sínodo Extraordinário para dezembro de 2002, na catedral de Havana.
Nesse Sínodo não houve uma votação clara, segundo Márquez. Doze dos 22 clérigos abandonaram os trabalhos, descontentes com o procedimento. Outros alegaram que estavam doentes e nem compareceram. Alguns afirmaram que já fora aprovado um pedido de readmissão, e que não tinha porque discuti-lo mais uma vez. Outros queriam simplesmente revogar a decisão anterior.
Em todos os casos, o Sínodo Extraordinário contou com apenas dez clérigos nos trabalhos da tarde – outros falam em apenas oito -, quorum insuficiente para votar qualquer medida. Assim, ficou valendo a resolução original. Em fevereiro deste ano, o Sínodo rechaçou a medida.
"Compreendemos que há certa polarização na diocese de Cuba, que tratou de nomear um bispo várias vezes e não o conseguiu, porque existe oposição e não chegaram a um entendimento", admite Márquez.
O Sínodo de fevereiro, ressalvou contudo, foi distinto. "Trabalhou-se de forma ordenada, respeitosa e em oração". O bispo Holguín presidiu o Sínodo contando com a colaboração de todos. "É um sinal de que nas próximas semanas e meses pode-se encontrar um caminho para a unidade e a reconciliação, e um sentido mais profundo da missão da diocese", arrolou Márquez.
Acrescentou que os episcopais norte-americanos não estão tomando partido algum. "Visitamos Cuba diversas vezes e continuaremos trabalhando como associados na missão, para fortalecer a vida e missão da igreja em Cuba", garantiu.
O Conselho de Paróquias Associadas para a Liturgia e a Missão reuniu-se, na Ilha, há poucos dias depois do Sínodo. Informou que os anglicanos de Cuba estão confiantes e cheios de esperança, apesar das dificuldades, e ressaltaram a abertura, hospitalidade e maturidade cristã da IEC.
Por outra parte, o problema das pensões por jubilamento dos clérigos cubanos continua sem solução. A igreja cubana não tem fundos para cobrir aposentadorias de seus religiosos. Até há pouco tempo, os que recebiam pensão eram os que se ordenaram antes da separação das igrejas episcopais de Cuba e Estados Unidos, ocorrida em 1967.
Dirigentes ecumênicos e episcopais locais asseguraram que todos os pastores cubanos poderiam se hospedar na Caixa de Retiro da Seguridade Social.
Agora, essa acolhida corre perigo. A legislação antiterrorismo - a Lei Patriótica -, aprovada nos Estados Unidos em outubro de 2001, dispôs que o Fundo de Pensões da Igreja não pague mais pensões diretamente aos cubanos, se não existir uma autorização explícita do Departamento de Controle de Fundos para o Exterior do Departamento do Tesouro.
"Falei pessoalmente com essas pessoas. São anciãos, cujo único ingresso são essas pensões", revelou Márquez. As pensões para os clérigos cubanos estão sendo depositadas numa conta bloqueada, com juros, até que o Fundo de Pensões consiga a autorização, ou até que se levante o embargo dos Estados Unidos contra Cuba.

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