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Quinta-feira, 20 de Maio de 2004

Israel Batista, secretário geral do CLAI [Foto: CLAI]
Israel Batista, secretário geral do CLAI [Foto: CLAI]

Governos de países periféricos são "mendigos" dos industrializados, diz CLAI

Manuel Quintero, MONTERREY, México, Março 22, 2002

À luz do Consenso de Monterrey, os governos dos países periféricos parecem "mendigos oficiais" diante Taxi Heathrow Airport dos governos dos países desenvolvidos e organismos financeiros internacionais, diz documento do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) distribuído na Conferência Internacional sobre o Financiamento do Desenvolvimento, em Monterrey, México.

O documento das igrejas critica a falta de mecanismos e instâncias efetivas para combater e erradicar a corrupção e a impunidade.

Delegação do CLAI participou da Conferência e emitiu a declaração, na qual conclama os líderes mundiais a "globalizar a vida plena" e a colocar o mercado e o sistema financeiro internacional a serviço de todas as pessoas.

O organismo ecumênico continental reconhece o esforço da Organização das Nações Unidas de criar um espaço para dialogar sobre o financiamento do desenvolvimento. Mas compartilha as reservas de muitas igrejas evangélicas da região quanto ao documento "Consenso de Monterrey".

Evangélicos consideram insuficientes e ambíguas as propostas para solucionar situações de injustiça e iniqüidade presentes em diferentes partes do mundo. Condenam o modelo que inverte os valores de igualdade, solidariedade e responsabilidade, pervertendo a relação entre capital e trabalho, promovendo a usura, o ócio e a especulação.

O CLAI agrupa 150 igrejas e organismos da América Latina e do Caribe. No documento, o Conselho defende que todo crescimento econômico tenha por objetivo a melhoria das condições de vida da sociedade, sem exclusões, e que a globalização tenha controles mediante regras claras e justas.

Defende o fomento de democracias participativas, a criação de mecanismos de controle e arbitragem em escala nacional, que promovam códigos de conduta regulamentadores dos investimentos, dos fluxos de capital e empréstimos.

O documento do CLAI reclama a criação de um organismo internacional de arbitragem e o cancelamento da dívida externa dos países endividados, porque só assim será possível propiciar um desenvolvimento sustentável nessas áreas.

 O Conselho advoga a investigação do surgimento dessas dívidas, e que os credores e devedores, do Norte e do Sul, que a contraíram de modo irresponsável e ilegal, as paguem.

Reportando-se a fundamentos éticos e teológicos, o CLAI lembra que os recursos naturais e sua transformação estão a serviço de todos os seres humanos, eles devem ser administrados de forma responsável, a fim de assegurar vida digna às gerações futuras.

 Afirma que o trabalho é a participação concreta a serviço do bem comum, e o dinheiro um meio para valorá-lo. Assim, toda especulação financeira, que tem gerado tanta pobreza, é condenável.

O documento termina afirmando que "o reino de Deus é justiça e que a bênção do Criador está com aqueles que ouvem o clamor do povo".