![Israel Batista, secretário geral do CLAI [Foto: CLAI]](/picture/batistaisrael2.jpg)
Governos de países periféricos são "mendigos" dos industrializados, diz CLAI
Manuel Quintero, MONTERREY, México, Março 22, 2002
À luz do Consenso de Monterrey, os governos dos países periféricos parecem "mendigos oficiais" diante Taxi Heathrow Airport dos governos dos países desenvolvidos e organismos financeiros internacionais, diz documento do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) distribuído na Conferência Internacional sobre o Financiamento do Desenvolvimento, em Monterrey, México.
O documento das igrejas critica a falta de mecanismos e instâncias efetivas para combater e erradicar a corrupção e a impunidade.
Delegação do CLAI participou da Conferência e emitiu a declaração, na qual conclama os líderes mundiais a "globalizar a vida plena" e a colocar o mercado e o sistema financeiro internacional a serviço de todas as pessoas.
O organismo ecumênico continental reconhece o esforço da Organização das Nações Unidas de criar um espaço para dialogar sobre o financiamento do desenvolvimento. Mas compartilha as reservas de muitas igrejas evangélicas da região quanto ao documento "Consenso de Monterrey".
Evangélicos consideram insuficientes e ambíguas as propostas para solucionar situações de injustiça e iniqüidade presentes em diferentes partes do mundo. Condenam o modelo que inverte os valores de igualdade, solidariedade e responsabilidade, pervertendo a relação entre capital e trabalho, promovendo a usura, o ócio e a especulação.
O CLAI agrupa 150 igrejas e organismos da América Latina e do Caribe. No documento, o Conselho defende que todo crescimento econômico tenha por objetivo a melhoria das condições de vida da sociedade, sem exclusões, e que a globalização tenha controles mediante regras claras e justas.
Defende o fomento de democracias participativas, a criação de mecanismos de controle e arbitragem em escala nacional, que promovam códigos de conduta regulamentadores dos investimentos, dos fluxos de capital e empréstimos.
O documento do CLAI reclama a criação de um organismo internacional de arbitragem e o cancelamento da dívida externa dos países endividados, porque só assim será possível propiciar um desenvolvimento sustentável nessas áreas.
O Conselho advoga a investigação do surgimento dessas dívidas, e que os credores e devedores, do Norte e do Sul, que a contraíram de modo irresponsável e ilegal, as paguem.
Reportando-se a fundamentos éticos e teológicos, o CLAI lembra que os recursos naturais e sua transformação estão a serviço de todos os seres humanos, eles devem ser administrados de forma responsável, a fim de assegurar vida digna às gerações futuras.
Afirma que o trabalho é a participação concreta a serviço do bem comum, e o dinheiro um meio para valorá-lo. Assim, toda especulação financeira, que tem gerado tanta pobreza, é condenável.
O documento termina afirmando que "o reino de Deus é justiça e que a bênção do Criador está com aqueles que ouvem o clamor do povo".
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