Voltar ao início

Domingo, 30 de Maio de 2004

IELB avalia filiação à Federação Luterana

Edelberto Behs, SAO LEOPOLDO, Brasil, Abril 14, 2003

A presidência da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) remeteu às congregações o parecer da Taxi Heathrow Airport Comissão Teológica e Relações Eclesiásticas propondo a filiação da igreja à Federação Luterana Mundial (FLM) na qualidade de membro associado.

Ouvidas as comunidades, o assunto será analisado na reunião do Conselho Diretor, em outubro, e encaminhado à Convenção Nacional, agendada para janeiro de 2004.

A proposta foi anunciada pelo secretário da IELB, pastor Rony Ricardo Marquardt, na assembléia Luteranos Unidos em Comunicação (LUC) – Região Brasil, realizada em São Leopoldo nos dias 12 e 13 de abril.

LUC vai encaminhar carta ao pastor presidente da IELB, Carlos Winterle, de aplauso à iniciativa e estimulando a filiação, destacando o promissor sinal de que a comunicação pode ser um elo de comunhão entre as duas igrejas luteranas em solo brasileiro.

Desde a criação de LUC, em janeiro de 1977, comunicadores da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) encontram-se nesse fórum, evoluindo para trabalhos conjuntos, de modo especial na literatura e na divulgação de mensagens comuns.

A aproximação da IELB com a FLM mostra que "barreiras históricas, teológicas e personalistas podem ser superadas na busca da convivência fraterna", declarou o pastor João Artur Müller da Silva, presidente da ALC e ex-integrante da Comissão Interluterana de Diálogo. A IECLB integra a FLM desde os anos 50 do século passado.

A assembléia de LUC foi aberta no sábado, 12, com a presença dos pastores presidentes das duas igrejas luteranas, que falaram da tarefa comunicacional em suas gestões. Walter Altmann, presidente da IECLB e na função há pouco mais de 100 dias, explicou que a igreja encontra-se numa fase de transição, definindo um planejamento global que começou com as áreas da formação e de pessoal. Mas ainda no decorrer desse semestre o trabalho de comunicação será analisado e reavaliado para inserir-se naquele planejamento.

Altmann disse que a IECLB ingressa num momento novo e que ela deverá se ocupar, nos próximos anos, com questões que dêem razão da esperança nela depositada, como o explicita I Pedro 3,15. "Somos chamados a responder o que significa ser Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil", frisou. Sob o prisma teológico, essa será a prioridade das prioridades para os próximos anos, acrescentou.

Também pretende uma maior visibilidade e presença da IECLB na imprensa e na sociedade. Lembrou que em 2006 o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) reunirá sua Assembléia Geral em Porto Alegre, quando os olhares das 350 igrejas afiliadas ao organismo ecumênico internacional voltarão seus olhares para o Brasil e sua realidade eclesial.

A igreja luterana, definiu o pastor Carlos Winterle, encolheu-se em demasia desde os seus primórdios em terras brasileiras e só agora, tardiamente, ela começa a "mostrar a sua cara para a sociedade brasileira".

Afinado com Altmann, destacou o mesmo ponto. "Precisamos dizer o que queremos como igreja". Frisou que muitas vezes a igreja perde de vista o seu objetivo maior, que é a proclamação do Evangelho de Cristo.

Winterle entende que a comunicação vai muito além da mídia impressa, televisiva ou radiofônica. "A Igreja Católica construiu melhores monumentos. Ela trabalhou a comunicação visual através de vitrais e decorou os templos". Lembrou que a imprensa foi uma bênção para o movimento da Reforma protestante no século XVII. "Imaginem o que Lutero não faria hoje com um computador", assinalou.

Os dois presidentes não prometeram maior alocação de recursos orçamentários para o item comunicação. Altmann destacou que a IECLB dependerá, cada vez mais, de recursos internos, uma vez que as torneiras que jorravam verbas do exterior estão cada vez mais fechadas.

Otimista, destacou que no ano passado a IECLB arrecadou 15% a mais do que tinha orçado. Winterle ainda vê a possibilidade de encaminhar projetos específicos de comunicação na busca de recursos externos.

A jornalista Karen Achtelsteter, do Serviço de Imprensa da FLM, acompanhou os trabalhos de LUC-Brasil e apresentou aos comunicadores luteranos brasileiros a estrutura do organismo que representa.

Ela animou LUC para dar sua contribuição à X Assembléia Geral da FLM, que estará reunida em Winnipeg, no Canadá, nos dias 21 a 31 de julho, quando debaterá o tema "Para a cura do mundo". Do Brasil parte a proposta de que a próxima assembléia continental de LUC, marcada para outubro, em Buenos Aires, enfoque o assunto "Para a cura da comunicação".