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Sexta-feira, 12 de Novembro de 2004

Pastor incentiva igrejas para que resistam à globalização excludente

SAN SALVADOR, El Salvador, Abril 11, 2003

O secretário da Federação Luterana Mundial (FLM) para a América Latina e o Caribe, pastor Taxi Heathrow Airport Martin Junge, fez um chamado às igrejas da região para que resistam aos embates da globalização econômica excludente, e para que se mantenham firmes na esperança e na construção de um mundo onde a solidariedade, o amor e o respeito ao próximo e pela Criação sejam realidade.

"É o momento de resistir e não deixar-se abater pelos problemas que derivam de uma globalização excludente, que afeta de modo especial os setores mais vulneráveis da sociedade", disse Junge à ALC ao término da Pré-Assembléia de igrejas latino-americanas e caribenhas filiadas à FLM.

Participaram da Pré-Assembléia, reunida em San Salvador de 6 a 9 de abril, delegados de 13 igrejas da América Latina e de duas igrejas do Caribe. Na região, os luteranos que pertencem às igrejas filiadas à FLM somam 850 mil – 750 mil só no Brasil. A região estará representada com 33 delegados na X Assembléia Geral da FLM, agendada para os dias 21 a 31 de julho, em Winnipeg, no Canadá.

Antes de trabalhar na FLM, em Genebra, Junge foi presidente da Igreja Evangélica Luterana do Chile (IELCH). Ele mostrou-se satisfeito com as contribuições que a delegação latino-americana e caribenha levará a Winnipeg.

A X Assembléia reunirá mais de 1 mil pessoas, entre elas 451 delegados de 136 igrejas dos cinco continentes. A FLM congrega 61milhões de luteranos e estudará, na Assembléia, o tema "Para a cura do mundo".

"Ficou claro que luteranos latino-americanos e caribenhos querem ter uma compreensão global do termo `cura’", disse Junge. A cura não diz respeito apenas ao indivíduo em sua espiritualidade, ou à sua saúde física e mental, mas envolve a comunidade e as relações das pessoas com a sociedade e com a Criação, explicou.

Delegados e delegadas da região farão propostas concretas à X Assembléia sobre a questão da dívida externa dos países do Terceiro Mundo e a respeito da aids. Defenderão a ilegitimidade da dívida e a necessidade de se levar o assunto a debate em diferentes fóruns nacionais e internacionais.

Também o assunto da aids será encarado sob o enfoque da justiça. "Os portadores do HIV/Aids não precisam de compaixão, mas de justiça", disse Junge.

Ele está convencido de que nesses dois temas a delegação latino-americana e caribenha terá o apoio de outros delegados. Também a proposta das igrejas luteranas do Cone Sul, elaborada no ano passado na reunião de Florianópolis, Brasil, de fazer com que o Parlamento Latino-Americano leve até a Corte Internacional de Haia o tema da legitimidade da dívida externa "deve merecer o nosso apoio", disse.

As delegadas, destacou, chamaram a atenção da Pré-Assembléia sobre o conceito de "nova masculinidade" e sobre os efeitos econômicos que a globalização excludente exerce sobre as mulheres da América Latina e do Caribe. Elas advertem que o incremento dos casos de violência intrafamiliar são estimulados pelo desemprego, frustração e individualismo.

Junge destacou que a juventude fez uma importante apresentação na Pré-Assembléia. Reclamou espaços de maior participação nas instâncias decisórias nas igrejas e mostrou muita clareza no diagnóstico da realidade que os jovens vivem.

O grupo criticou o sistema neoliberal, os modelos estereotipados de juventude e a falta de perspectiva de realização pessoal e profissional, e pediram às igrejas que promovam a discussão desses temas.

Junge destacou que a participação das igrejas da região não pode ficar limitada ao envio de delegados a Winnipeg, mas que o tema do evento – "Para a cura do mundo" – deve ser motivo de reflexão permanente em todas as congregações.


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