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Sexta-feira, 12 de Novembro de 2004

Acordos de Paz não eliminam o conflito, diz médico

SAN SALVADOR, El Salvador, Abril 8, 2003

Onze anos depois da assinatura dos Acordos de Paz em El Salvador, a guerra terminou, Taxi Heathrow Airport mas os problemas que a originaram continuam sem resolução, afirmou o médico Angel Ibarra na reunião de hoje da Pré-Assembléia de Igrejas latino-americanas e caribenhas membros da Federação Luterana Mundial (FLM). A guerra em El Salvador matou mais de 75 mil pessoas.

Segundo Ibarra, o clima político nacional melhorou. Foi criada a Procuradoria de Direitos Humanos, cessou a repressão política e existe liberdade para a participação eleitoral. Mas isso é muito pouco e não satisfaz as expectativas que o povo criou ao final da guerra que assolou o país entre 1980 e 1992, afirmou.

"Ao contrário, creio que a situação piorou", disse Ibarra à ALC. Ao concluir a guerra, entraram em cena as políticas neoliberais, foram privatizadas muitas empresas, o Estado deixou de atender as necessidades básicas da população, milhares de trabalhadores foram despedidos e a pobreza aumentou", comparou.

Mais de 600 mil pessoas, de uma população de 6 milhões de salvadorenhos, sobrevivem hoje graças aos projetos de emergência alimentar.

Depois dos acordos de paz em El Salvador houve um período de lua de mel no país, mas essa etapa terminou. "Hoje, os movimentos sociais e as associações profissionais fazem ouvir sua voz de protesto, conscientes de que o modelo neoliberal não resolverá os graves problemas econômicos e sociais que afetam vastos setores do país", assinalou o médico.

Ibarra foi reitor da Universidade Luterana e atualmente é o diretor da União Nacional Ecológica Salvadorenha (UNES). Ele disse que os Estados Unidos querem exercer o seu domínio do Alasca até a Patagônia, adiantar os tratados de livre comércio e garantir as inversões de suas empresas, deixando de lado os aspectos sociais e ambientais.

Numa relação assimétrica, os Estados Unidos aplicam medidas protecionistas e exige liberação total dos mercados dos países do Sul, denunciou. Contra essa agenda e as tentativas de dominação é preciso se opor e criar consciência de que "um outro mundo é possível", tal como anuncia o Fórum Social de Porto Alegre, observou.

O ex-reitor destacou a presença de igrejas luteranas nesse esforço e disse que, embora o caminho não seja fácil e há nuvens escuras pela frente, "não poderemos `curar' o mundo, se não nos opusermos hoje à globalização excludente", proclamou.

A Pré-Assembléia, reunida de 6 a 9 de abril, em San Salvador, é encontro preparatório da X Assembléia Geral da FLM, que terá lugar em Winnipeg, Canadá, de 21 a 31 de julho. "Para a cura do mundo" é o lema do encontro.


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