![Keith Clements, secretario general de la CEC [Foto: Peter Williams/CMI]](/picture/Clements_Keith_3c0d62.jpg)
Estados Unidos terão vitória de Pirro
Entrevista: Manuel Quintero, NORDELBIEN,, Alemania
Secretário geral da Conferência de Igrejas da Europa (CEC), Keith Clements, defende a necessidade urgente Taxi Heathrow Airport de estabelecer a ONU como árbitro supremo internacinal.
Entrevista: Manuel Quintero
Quintero: As igrejas européias agrupadas na CEC, em conjunto com o Conselho Nacional de Igrejas dos Estados Unidos, desenvolveram campanha pública e realizaram importantes ações políticas frente aos governos da Europa para evitar a guerra. O que sentem agora, quando, apesar desses esforços, a coalizão liderada pelos Estados Unidos decidiu, violando o direito internacional, desatar o conflito?
Clements: O início da guerra contra o Iraque significou um profundo desalento para as nossas igrejas, especialmente porque esse conflito se desatou sem a autoridade das Nações Unidas. Desanimou-nos porque, de maneira diferente do que ocorreu com líderes políticos europeus, incluindo o primeiro ministro britânico Tony Blair, o presidente Bush negou-se a receber líderes de igrejas para discutir o tema Iraque. Esse comportamento revelou muito a respeito da natureza da administração Bush.
Mas avaliamos muito positivamente a relação que se estabeleceu entre o Conselho Nacional de Igrejas dos Estados Unidos e a CEC, que poderia estender-se e qualificar-se como uma nova aliança transatlântica de nossas igrejas. Além disso, apreciamos como algo sumamente positivo a importante recepção que encontramos em muitas capitais européias. Creio que isso constitui uma valiosa plataforma para continuar construindo relações e desenvolver o trabalho profético de nossas igrejas.
Quintero: Agora que a guerra está em marcha, com suas trágicas conseqüências, qual tem sido a nova estratégia da CEC?
Clements: Depois do início do conflito, a CEC escreveu ao atual presidente da União Européia pedindo que haja a maior generosidade na ajuda humanitária, e para que os países da União Européia ofereçam seu apoio e estejam abertos para receber possíveis refugiados por causa do conflito.
Nessa carta ressaltamos a necessidade de a União Européia trabalhar em favor da restituição do direito internacional e de um enfoque multilateral aos problemas na arena internacional. A União Européia é precisamente isso, um esforço multilateral, que deve trabalhar para que as Nações Unidas sejam restabelecidas como o supremo árbitro internacional e a instância coordenadora dos esforços humanitários e de reconstrução do Iraque.
Uma vez terminada a batalha por Bagdá, as igrejas têm que franquear uma batalha em nome das Nações Unidas para restabelecer um governo que seja aceitável ao povo iraquiano, que possibilite o estabelecimento de um modo de vida genuinamente democrático nesse país.
Quintero: Olhando da América Latina tem-se a impressão de que a guerra provocou uma séria fratura na União Européia, incapacitando-a para ser um fator de contrapeso na geopolítica internacional.
Clements: Não usaria a palavra fratura para qualificar as divergências no seio da União Européia em torno dessa guerra. O que essas divergências revelaram é que a União Européia carece de uma política exterior e de segurança comum, e a urgente necessidade de desenhar e adotar essa política.
Não creio que a União Européia tenha se desgastado por causa dessas divisões, porque a Alemanha e a França, os dois países que constituem o núcleo principal da União, estiveram muito de acordo em sua política de oposição à guerra.
O enfoque unilateral dos Estados Unidos no Oriente Médio, incluindo sua política a respeito de Israel e do povo palestino, não conduzirá senão a uma profunda alienação do povo árabe e se converterá num obstáculo decisivo para suas tentativas de levar a cabo um processo político que satisfaça seus interesses na região. Como Napoleão, ao conquistar Moscou em 1812, os Estados Unidos se verão obrigados a retirar-se, porque serão incapazes de converter as pessoas. Por isso penso que os Estados Unidos vão alcançar uma vitória de Pirro no Iraque, contrária aos desejos e ao respeito do povo árabe em seu conjunto.
Há anos, um autor norte-americano escreveu um livro que teve muito êxito: Como fazer amigos e influir pessoas. Aos políticos da Casa Branca faria bem reler esse livro. Os Estados Unidos necessitam de amigos críticos.
Quintero: Em que medida as ações que a liderança da CEC realizou em oposição à guerra provocaram dissensão e oposição de algumas de suas igrejas?
Clements: Nossas posturas e declarações encontraram uma unanimidade quase absoluta entre as igrejas que constituem a CEC, e um grupo importante de líderes dessas igrejas participaram de reunião em Berlim, no início de fevereiro, organizada em conjunto com o Conselho Mundial de Igrejas, quando foi firmado uma declaração contra a noção de guerra preventiva.
Houve algumas expressões de desacordo em igrejas da Europa Central, mas as igrejas ortodoxas da Albânia, Romênia e Rússia aderiram de modo firme a nossas ações. Na verdade, penso que foi um dos assuntos no qual tivemos o maior consenso na CEC em toda a sua história.
Quintero: E como o senhor acredita que essa guerra afetará a próxima assembléia da CEC?
Clements: A próxima assembléia geral da CEC será realizada em Trondheim, dias 25 de junho a 2 de julho, sob o lema "Saúde e Reconciliação". Creio que é um tema particularmente apropriado para entrarmos no debate do que significou esse conflito.
Além disso, contaremos com a presença de importantes delegações do Conselho Nacional de Igrejas dos Estados Unidos e do Conselho de Igrejas do Oriente Médio, o que nos permitirá reforçar nossas alianças e enfocar as conseqüências numa perspectiva muito ampla e ecumênica.
Evidentemente, essa guerra afetará nossas deliberações numa série de tópicos, particularmente quanto às relações entre cristãos e muçulmanos, o papel das igrejas na construção da paz, e as perspectivas de realizar uma ação mais efetiva no seio da União Européia.

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