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Domingo, 30 de Maio de 2004

Sapatos e sandálias chamam para o combate à violência

Edelberto Behs, CUIABÁ, Brasil, Abril 4, 2003

Em cada par de sapato um nome, uma lembrança. Parentes e amigos de pessoas mortas Taxi Heathrow Airport de forma violenta nos últimos anos no Mato Grosso levarão até o altar montado na Praça da República, em Cuiabá, calçados, sandálias e chinelos das vítimas, amarrados a uma etiqueta contendo o seu nome.

Elas serão lembradas, hoje, na celebração ecumênica organizada pelo Centro de Direitos Humanos Henrique Trindade. Mais de 100 sapatos serão juntados no altar, num ato de protesto contra a injustiça e a violência humana.

A data remete ao afogamento dos cadetes da Academia Militar Sérgio Kobayashi e Evaldo Guimarães, que faleceram no dia 5 de abril de 1998, durante treinamento na região de Cáceres.

A Academia sofreu severas críticas da opinião pública por causa do incidente e das rígidas condutas desumanas impostas a seus militares, disse o pastor Teobaldo Witter, secretário geral do Centro de Direitos Humanos Henrique Trindade, de Cuiabá.

Há cinco anos o Centro organiza culto ecumênico na praça em homenagem aos cadetes mortos e às vítimas da violência, quando o tema da homilia volta-se às exigências da paz. Por causa do incidente, o Centro conseguiu que a Academia Militar introduzisse a disciplina de Direitos Humanos na sua grade curricular.

"Condenamos todas as formas de violência. Elas são fruto da degradação humana", disse Witter, que também se preocupa com "o marasmo dos administradores do Estado".

O pastor sustenta que a sociedade, em conjunto, deve combater a impunidade e lutar por políticas públicas de direitos humanos. "Preocupa-nos o fato de a sociedade somente mencionar a violência, sem se mobilizar", disse.