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Segunda-feira, 17 de Maio de 2004

Missão compartilhada – a verdadeira democracia eclesial

Manuel Quintero, BAD SEGEBERG, Alemania, Abril 4, 2003

 “As mulheres foram uma parte integral na missão de Jesus”, afirmou a pastora metodista uruguaia Taxi Heathrow Airport Beatriz Ferrari, que falou sobre missão compartilhada de uma perspectiva de gênero, na segunda jornada da consulta sobre missão e cooperação, reunida nesta cidade alemã até o domingo.

A pastora referiu-se, na palestra, a vários conceitos de missão, começando com a missão de Deus – missio Dei –, a que qualificou como um dos conceitos mais revolucionários, formulado pela primeira vez pelo teólogo Karl Barth.

Quanto à missão integral, conceito que toma forma no século XX, a pastora disse que ele permite superar a idéia de que a missão é apenas “a salvação das almas” e a “inauguração de novas igrejas”. Jesus, disse, veio para redimir a totalidade do ser humano e nenhuma área da vida e do sofrimento humano podem carecer do testemunho da esperança.

A chamada missão humanidade – missio humanitatis – tem como premissa que a missão é essencialmente relacional, de onde derivam três características definitórias: responsabilidade, solidariedade e mutualidade.

“A missão humana seria, assim, a versão mais completa da missão, porque permite trabalhar com toda a comunidade humana em termos de reciprocidade”, disse Ferrari.

Depois de explicar esses conceitos, a pastora uruguaia mostrou dois modelos bíblicos de comunidade missionária: o paradigma dos setenta e o de Betânia, “uma casa no caminho”.

Quanto aos setenta enviados – dos quais fala o capítulo 10 do Evangelho de Lucas – a pastora indagou se todos eram galileus e varões, para responder, em seguida, que, segundo o mesmo testemunho bíblico, “tratava-se de um grupo heterogêneo, de pessoas de distintas classes sociais, que não apenas acompanhavam a missão de anunciar o Reino, mas que também sustentavam o grupo de Jesus com seus bens, com seus talentos e com o seu trabalho”.

Referindo-se ao texto de Lucas 10.38-42, a pastora uruguaia disse que no mesmo “reconhece-se uma mulher que pode ser discípula, e que o encontro de Jesus com Marta e Maria não foi casual, mas que a casa das irmãs em Betânia era, seguramente, conhecida na comunidade como ‘um lugar de acolhida, alojamento, recepção, descanso e refúgio´, e como ‘um centro de ensino e testemunho público´”.

A pastora disse que é preciso trazer à luz a questão do poder no seio das igrejas, e que a ênfase deve ser colocada no “poder para” e não no “poder sobre”. Dessa maneira, “a missão compartilhada se traduziria numa verdadeira democracia eclesial, inclusiva de gênero”, acrescentou.

Essa missão compartilhada das mulheres deve procurar tornar efetivo o discipulado de iguais, em companheirismo e mutualidade, como discípulos e discípulas aos pés de Jesus, numa missão completamente renovada, com a participação de homens e mulheres”, concluiu.