Voltar ao início

Sexta-feira, 18 de Abril de 2003

América Latina pede fim da guerra

BUENOS AIRES, Argentina, Março 28, 2003

Da Argentina, no extremo sul da América Latina, a Cuba, no norte, passando pela Nicarágua, Taxi Heathrow Airport na América Central, aumentam, a cada dia, as vozes que pedem o fim da guerra que os Estados Unidos e aliados travam contra o Iraque.

Em Buenos Aires, o Conselho Nacional Cristão Evangélico (CNCE) emitiu declaração na qual anuncia que se une a todos aqueles que, ao redor do mundo, trabalham e oram pela paz. O CNCE aponta que a violência nunca foi um instrumento eficaz para resolver conflitos.

A declaração é assinada pelos presidentes das três organizações que integram o CNCE, pastores Rubén Proietti, da Aliança de Igrejas Evangélicas da República Argentina (ACIERA); Emilio Monti, da Federação Argentina de Igrejas Evangélicas; e Roberto Prieto, da Confederação Evangélica Pentecostal.

O comunicado, divulgado ontem, reconhece que o regime de Saddam Hussein é cruel e que deve ser desarmado, mas rejeita a opção da invasão como única alternativa, quando foram registrados avanços pela via diplomática das Nações Unidas.

“A partir de nossa fé em Jesus, afirmamos que o desarme deve ser o caminho a seguir por todas as nações, sem exclusão de nenhuma delas; e chamamos ao arrependimento a todos aqueles que, por ação ou omissão, permitiram essa guerra. Em especial aqueles que a partir de um fundamentalismo religioso recorrem ao nome de Deus para justificar suas ações criminais”, diz o CNCE, que representa a maioria das igrejas evangélicas da Argentina.

Os cristãos da Argentina expressam dor e rejeição aos que tentam apropriar-se da fé cristã e que sustentam uma ideologia de guerra e conquista. 

O Conselho de Igrejas de Cuba (CIC) chamou todos os cristãos da ilha e do mundo para orarem pela paz, num momento tão crucial para a história da humanidade e ante a guerra que o governo dos Estados Unidos empreende contra o povo do Iraque.

O documento faz alusão ao espírito belicista que rege o mundo na atualidade e condena a atitude de alguns governantes que “manipulam e invocam falsamente o nome de Deus para cometer pecado”, pretendendo substituir o mandato bíblico do “amai-vos uns aos outros” por “armai-vos uns contra os outros”.

O CIC sublinha que diferentes personalidades de igrejas evangélicas e do ecumenismo mundial levantaram sua voz contra esse “novo holocausto”. Menciona, de maneira especial, o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), o Conselho Nacional de Igrejas de Cristo dos Estados Unidos (NCCUSA) e o papa João Paulo II.

O conselho cubano propõe que o Domingo de Ramos, a 13 de abril, seja um dia de oração unânime dos cristãos para que a guerra termine e prevaleça a paz.

Em Manágua, a pastora Maria Esther Cruzada, da Igreja Discípulos de Cristo, e funcionária do Serviço Mundial de Igrejas para a Mesoamérica, disse que sua denominação é a favor da vida, e que apóia as marchas que igrejas promovem contra a guerra. O presidente da Nicarágua, Enrique Bolaños, manifestou apoio ao empreendimento do presidente George Walker Bush no Oriente Médio.

Antes da declaração de guerra, a Discípulos de Cristo promoveu vigílias de oração e enviou cartas com milhares de assinaturas de fiéis, pedindo que reconsiderassem as ações bélicas.

Também em Porto Rico, informou a pastora, as igrejas estão promovendo jornadas de oração pela paz e acompanham com dor as centenas de mães que choram a ausência de seus filhos e maridos. Segundo dados oficiais, 29 mil soldados portorriquenhos integram o exército dos Estados Unidos no Iraque.

Católicos nicaragüenses também participam de ações contra a guerra e pela paz. Em Matagalpa, a 144 km ao norte da capital, local de peregrinação à imagem do senhor de Esquípulas e da Virgem de Guadalupe, o bispo Leopoldo Brenes pediu aos fiéis que se mantenham em oração pelas vítimas inocentes da guerra.

O bispo pediu, em especial, para que orem pelos nicaragüenses que integram as fileiras do exército norte-americano no Iraque. Fontes do Pentágono informaram que 15 mil latinos estão engajados nas tropas enviadas ao Golfo Pérsico.