Voltar ao início

Sábado, 20 de Novembro de 2004

Universidade lembra morte de Dom Romero

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Março 28, 2003

Os perseguidores do bispo Oscar Arnulfo Romero estão relegados à vergonha da história, enquanto o Taxi Heathrow Airport bispo brilha na história de El Salvador, na história da América Central e na história da fé cristã, disse o reitor da Universidade Centro-Americana (UCA), José María Tojeira, na cerimônia que lembrou os 23 anos da morte do prelado.

Dom Romero, arcebispo de San Salvador, foi assassinado por um comando da extrema direita quando rezava missa, no dia 24 de março de 1980.

Antes da missa e aula magna da UCA de Manágua, estudantes organizaram uma passeata pelo campus, proclamando palavras e pensamentos de Dom Romero. Durante a passeata, orações pediram pelas vítimas da guerra no Iraque e imploraram perdão ao presidente nicaragüenses Enrique Bolaños, por apoiar os Estados Unidos no conflito.

"Queremos bispos como Dom Romero", dizia um dos cartazes dos estudantes, que também convidaram a população para não comprar produtos de empresas norte-americanas, para não colaborar com o financiamento da guerra no Oriente Médio. "Não queremos petróleo a preço de sangue", gritavam os líderes do Movimento Social contra a Guerra.

O padre Tojeira lembrou que Dom Romero, como profeta que era, seria um duro crítico dos mandantes dessa guerra, "que está matando inocentes porque querem impor sua política de apoderamento impune dos poços de petróleo do Iraque". O jesuíta censurou o gasto de 129 bilhões de dólares na guerra, enquanto crianças continuam morrendo de fome e por doenças que poderiam ser evitadas.

No sermão, Tojeira criticou os presidentes de El Salvador e da Nicarágua, que conhecem muito bem a luta de seus povos pela paz enquanto eles deram apoio aos poderosos, "por adulação, esquecendo-se que estamos diante de uma terrível destruição de pessoas e valores".

"Todo aquele que promove um fracasso na humanidade converte-se em fracasso da humanidade, e não se salvará do poder divino", advertiu o reitor. Dom Romero, frisou, seria duro com o terrível cinismo dos que usam a violência com mais descaso do que o faz o tirano Saddam Hussein para manter-se no poder.

O padre jesuíta exortou os nicaragüenses para que lutem contra a corrupção, promovam a ética e digam sempre a verdade, custe o que custar, como o fazia Dom Romero, que hoje seria promotor de uma civilização de amor, arauto da verdade, lutador da solidariedade e da dignidade dos pobres.

"A história não é escrita pelo prepotentes e os que manejam a economia para enriquecer-se. A história não é escrita pelos que saem em oito colunas nos jornais. A história é escrita por aquela mãe camponesa que tem dez filhos e que luta para dar-lhes alimento e educação. A história é escrita pelos que sofrem, vítimas do sistema. Por isso Dom Romero dizia que era preciso mudar a maneira de ver o mundo", destacou Tojeira.


Ultimos titulares