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Terça-feira, 6 de Maio de 2003

Evangélicos não devem abusar da liberdade de culto, recomenda pastor

Antonio Otzoy, GUATEMALA, Guatemala, Março 27, 2003

Cristãos evangélicos devem afirmar-se na liberdade de culto, não como liberdade para fazer o mal, Taxi Heathrow Airport mas para respeitar o direito que a liberdade proporciona, declarou o pastor Emilio Antonio Núñez, ao participar do Fórum Acadêmico sobre Liberdade de Culto.

O Fórum teve lugar no dia 18 de março, na Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Rafael Landívar. Também palestraram, na ocasião, o reitor da universidade, o jesuíta Gonzalo de Villa, que enfocou o Concílio Vaticano II e a liberdade de culto, e o engenheiro Federico Licht, da comunidade judaica da Guatemala.

O pastor evangélico abordou "O impacto sócio-político da liberdade de culto". O Fórum contou com a participação de mais de 40 estudantes da faculdade e de líderes evangélicos.

Gonzalo de Villa disse que o Concílio Vaticano II trouxe "ar fresco" para a Igreja Católica. Quando se trata ou se tenta deter a verdade "nega-se o direito à prática de outras religiões", disse.

O jesuíta fez uma trajetória histórica da liberdade de culto na Guatemala, desde a expulsão dos jesuítas, em 1881, até os 35 anos de violência que o país viveu e que terminou com a assinatura dos Acordos de Paz, em 1996.

A liberdade religiosa, afiançou, é inerente ao ser humano, mas implica respeito aos demais. Atualmente, há um grau maior de intolerância religiosa no mundo. "A liberdade religiosa é um convite ao qual somos chamados, e o qual não devemos impor a ninguém", disse.

Núñez anotou que na Guatemala existe, há 130 anos, o decreto 83, que trata da liberdade de culto. Esse decreto foi promulgado em 1873, com o triunfo dos liberais encabeçados pelo general Justo Rufino Barrios sobre os conservadores. Barrios tentou neutralizar, assim, a grande influência da Igreja Católica na economia, na educação e na política do Estado.

Nos "considerandos" do decreto fica clara a importância que tem a fé em Deus e o culto a Deus como um direito. "Com esse direito foi desenhado o caminho da Guatemala para a civilização", assinalou o pastor.

Licht disse que vem de um povo que passou toda a sua existência por distintas etapas de sofrimento, desde os anos 800 antes da era cristã. "Em nossa história aconteceram vários holocaustos, o último deles no século passado, com Adolf Hitler".

Mas a partir da escravidão o povo judeu chegou à liberdade de consciência, destacou, assim que os judeus não têm como objetivo convencer os demais. "Manter a liberdade religiosa é uma maneira de sobreviver". Os judeus, disse, são duros na defesa da liberdade religiosa.

Argumentou: "Se uma seita fosse imposta ao povo judeu, sem dúvida ele desapareceria, porque a imposição só se daria com a eliminação do povo".