Católicos criticam cardeal Cipriani
LIMA, Perú, Março 26, 2003
Centenas de católicos reuniram-se, ontem, em parque do distrito de Miraflores, na capital, em apoio Taxi Heathrow Airport ao padre Martín Sánchez, suspenso de suas funções sacerdotais pelo arcebispado de Lima. Os manifestantes protestaram contra a suspensão, promovida pelo cardeal Juan Luis Cipriani.
No início de março, o arcebispado de Lima anunciou que Sánchez fora suspenso das funções sacerdotais – está proibido de rezar missa e administrar os sacramentos – por irregularidades, sem especificar quais seriam. Argumentou, também, que o padre é diretor do serviço assistencial Lar de Cristo, o que coloca a igreja em questionamento.
Na semana passada, o vigário da arquidiocese, Andrés Berríos, informou que a suspensão de Sánchez dera-se porque participara de atividades de arrecadação de fundos para o Lar de Cristo e que fizera declarações sobre o aborto, contrárias à posição da Igreja Católica. “Sem permissão do arcebispo, os clérigos não podem administrar bens pertencentes a leigos e entidades laicas”, explicou Berríos.
Segundo a imprensa, o enfrentamento entre o arcebispo e o padre reside na administração do lar. Cipriani quer assumir o controle das importantes doações que o lar recebe de particulares e de empresas. O lar é uma instituição autônoma da igreja, que ajuda crianças pobres e anciãos.
Na sexta-feira passada, o arcebispado confirmou a versão, ao declarar, em coletiva de imprensa, que a suspensão sacerdotal de Sánchez será levantada quando ele renunciar a direção do Lar de Cristo.
A polêmica teve início no ano passado, quando fontes do arcebispado disseram que o Lar de Cristo devia impostos ao Estado no valor de 1 milhão de dólares, o que colocava em risco o prestígio da igreja.
O bispo de Chimbote e ex-presidente da Conferência Episcopal Peruana, Luis Bambarén, elogiou, há dias, o trabalho de Sánchez e disse que o Lar de Cristo não depende da arquidiocese de Lima. O lar nega que tenha alguma pendência tributária com o Estado.
No protesto de ontem, convocado pela Cadeia de Solidariedade ao Lar de Cristo, manifestantes portaram cartazes criticando Cipriani, que, em outras ocasiões, provocou manifestações por causa de declarações que dera. A opinião pública não esquece que Cipriani era amigo do presidente ditador Alberto Fujimori, e que o apoiou publicamente.

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