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Sábado, 20 de Novembro de 2004

Bolaños é um "peão" dos EUA, comenta advogado

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Março 26, 2003

 Embora o presidente Enrique Bolaños tenha apoiado o presidente George Walker Bush e os meios Taxi Heathrow Airport de comunicação informassem que a Nicarágua pronunciou-se a favor da guerra contra o Iraque, um grande número de pastores evangélicos, a Igreja Católica e movimentos sociais nicaragüenses são contra a agressão dos Estados Unidos ao povo iraquiano.

Nesse momento de dor, pastores e líderes religiosos "devem converter-se em promotores da paz em todo o mundo", declarou o pastor Manuel Silva, do setor de Comunicação do Centro Intereclesial de Estudos Teológicos e Sociais (CIEETS).

A "ação arrogante" do presidente Bush, que se denomina cristão, é dolorosa e ameaça a paz mundial, disse o pastor Guadalupe Gómez, da Primeira Igreja Batista de Manágua.

Dom Silvio Fonseca, da Igreja Católica, e Daniel Ortega, líder evangélico, qualificaram a guerra como um ato lesivo contra a humanidade, "porque onde há guerra há luto, sangue e dor".

Ortega Reyes questionou o presidente Bolaños, porque, sem consultar o povo, decidiu apoiar o presidente dos Estados Unidos. O bispo Fonseca destacou que toda guerra é uma derrota da humanidade.

O diretor jurídico do Centro Nicaragüense dos Direitos Humanos (CENID), Bayardo Isaba, comentou que o apoio do governo de Bolaños ao governo Bush no caso da guerra contra o Iraque "não contribui em nada" e mostra, apenas, que o presidente da Nicarágua "comporta-se como um peão a serviço do governo norte-americano".

Victor Hugo Tinoco, que foi vice-chanceler no período do governo sandinista, qualificou a decisão de apoiar os Estados Unidos de "vergonhosa e contraditória" aos sentimentos da maioria dos nicaragüenses.

O líder da Igreja Missão Pentecostal, Xavier Hernández, disse que os Estados Unidos violaram, no caso da invasão do Iraque, todas as normas e acordos da ONU. "É hora de o mundo cristão se ajoelhar e orar para que Deus pare essa guerra que só traz morte, destruição material e graves conseqüências para a economia mundial", comentou o pastor.

O movimento social nicaragüense, as comunidades eclesiais de base e o Conselho de Igrejas Evangélicas Pró Aliança Denominacional (CEPAD) também condenaram a agressão dos Estados Unidos ao Iraque. Esses organismos apoiam os grupos de jovens que diariamente se postam em frente às embaixadas norte-americana e inglesa para protestar contra a guerra.

Na sexta-feira, 21, aconteceu uma marcha que terminou em frente à Praça da Casa Presidencial. A marcha manifestou a crítica ao governo da Nicarágua por apoiar a declaração de guerra dos Estados Unidos contra o Iraque.

Na segunda-feira, 24, universitários marcharam pelo campus. Além do protesto à guerra, a marcha lembrou o 23. aniversário do assassinato de Dom Oscar Arnulfo Romero, em San Salvador.

Para amanhã está agendado um festival de música pela paz, que terá lugar na avenida Universitária; para a sexta-feira, 28, está programada outra caminhada pela paz, que vai se concentrar em frente à Embaixada Britânica.

O movimento social está conclamando a população para que não compre produtos de empresas dos Estados Unidos, para não colaborar com o financiamento da guerra.


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