Voltar ao início

Terça-feira, 6 de Maio de 2003

José Reinoso, jornalista e diretor associado da Rádio HCJB A Voz dos Andes [Foto: ALC]
José Reinoso, jornalista e diretor associado da Rádio HCJB A Voz dos Andes [Foto: ALC]

Comunicação deve ser radical e responsável, diz jornalista

LIMA, Perú, Março 26, 2003

 Em palestra apresentada na Jornada Latino-Americana de Comunicação, reunido nesta capital, o jornalista dominicano José Taxi Heathrow Airport “Chema” Reinoso disse que a comunicação deve ter significado e propósito, ser radical e responsável perante Deus.

Na palestra, sob o título “Comunicação e missão no século XXI”, Reinoso assinalou que todo ato de comunicação implica um processo de eleição-seleção. “Se desejamos que outros elejam, devemos ter em conta o significado e propósito da comunicação, os efeitos do pecado sobre a mesma e a necessidade de que a comunicação deve ser radical e responsável”, afirmou.

Durante muitos anos, lembrou, era tabu na América Latina tratar de certos temas, considerados íntimos, como violência intrafamiliar, assédio sexual, lares desmanchados, e sedução infantil. Até que certos antropólogos, jornalistas ou trabalhadores sociais começaram a investigar esses assuntos e trazê-los a público, com propostas de opções de mudanças.

“Isso nos faz pensar que Deus nos deu o presente da comunicação para que sejamos co-criadores em nossa cultura. Ao comunicar-nos com os vizinhos, com a criação e conosco mesmos estamos realizando a finalidade última da comunicação, que é alcançar o ´shalom´, o bem-estar, o desejo fervoroso de encontrar paz e justiça em Deus”, assinalou.

O desejo de estar com outros, valorizar os outros, servir os outros, é a busca permanente de criar comum-união, de compartilhar. Cada vez que as pessoas se comunicam em paz e justiça elas desfrutam quem é Deus e qual o seu propósito para a humanidade, disse Reinoso. O jornalista é diretor da rádio HCJB - A Voz dos Andes, com sede em Quito, Equador.

As ferramentas de comunicação, advertiu Reinoso, são forte e radicalmente atingidos pelos atos compulsivos do pecado. “Ao ser invadida pela influência do pecado, nossa comunicação torna-se confusa e cheia de interpretações erradas; essa alienação corrompe nossa capacidade de comunicar-nos, no sentido de seguir criando bem-estar”, assinalou.

As ferramentas de comunicação especializaram-se em satisfazer os desejos dos outros, de comunicar meias verdades. A televisão mostra, nesses dias, como três países do Primeiro Mundo massacram um país do Terceiro Mundo. A internet está impregnada de pornografia infantil; o silêncio ou o fazer vistas grossas aniquila os comunicadores, disse.

A Babel globalizada das comunicações está sendo usada para manter estruturas de opressão e engano, sustentou o jornalista dominicano. Só a graça de Deus permite construir estruturas de comunicação que irrompam em justiça, combatendo o mal, e institucionalizam a comunicação.

Uma comunicação radical e responsável não pode esquecer que Deus espera das pessoas que elas se comprometam a fazer o que é correto e não apenas o que é fácil, popular e persuasivo.

A cada ano, centenas de jornalistas e comunicadores são assassinados por informarem os fatos. “É preciso ter bem claro onde está a nossa lealdade, sem importar o custo. É preciso ser profetas inconformados, sem deixar de ser sacerdotes que consolam”, recomendou.

O evangelho é a verdade que muda “o nosso enfoque em toda a realidade que se nos apresenta. Mas, de igual forma, sejamos realistas quando da verdade se trata, já que sob certos regimes opressores e ditatoriais a verdade pode converter-se num artigo de luxo”, alertou. Há circunstâncias que vão demandar o manejo prudente e sábio da verdade. “São situações excepcionais”, admitiu.

Para “Chema” Reinoso, o chamado de Deus é uma libertação responsável que convoca os profissionais a comunicarem o que deve ser comunicado e não apenas o que querem comunicar.

“Vamos enfrentar muitas coisas, mas cobertos pela graça de Deus devemos estar prontos a perdoar aqueles que nos mentem, que invadem maliciosamente a nossa privacidade ou que pretendem silenciar a nossa voz”, destacou o jornalista.