![Konrad Raiser, secretário geral do CMI [Foto: Peter Williams (CMI)]](/picture/Raiser_Konrad-2003.1_1b3cfe.jpg)
Bush abusa da linguagem religiosa, acusa Raiser
GENEBRA, Suiza, Março 21, 2003
Líderes cristãos dirigiram duras críticas ao presidente norte-americano, George Walker Bush, por utilizar linguagem religiosa Taxi Heathrow Airport para justificar a guerra contra o Iraque.
O secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), pastor Konrad Raiser, disse que Bush "abusa da linguagem religiosa" quando a utiliza para invocar uma legitimidade divina à guerra. Durante culto realizado na capela do Centro Ecumênico de Genebra, Raiser afirmou que a resposta cristã a esse abuso deve ser corajosa.
O representante do papa João Paulo II na Suíça, monsenhor Diarmuid Martin, declarou que "é hora de o mundo, de uma vez por todas, colocar-se além da lógica da guerra e da arrogância do poder".
Com o respeito da lei e a força da solidariedade, prosseguiu, a civilização pode superar a lógica da guerra e desmantelar os instrumentos de terror. Martin lembrou que o papa criticou o pecado daqueles que se refugiam na suposta impossibilidade de mudar o mundo. "Nunca devemos renunciar a essa possibilidade", afiançou.
O metropolitano na Suíça do Patriarcado Ortodoxo Ecumênico, Jérémie, dirigiu a oração pelo povo do Iraque e dos países vizinhos, especialmente pelas mulheres e crianças iraquianas, pelas autoridades e dirigentes dos países envolvidos no conflito, a fim de que compreendam que a violência não pode acabar com a violência.
Em Buenos Aires, a bispa da Igreja Evangélica Metodista Argentina, Nelly Ritchie, pôs em dúvida a filiação metodista do presidente Bush, sem mencioná-lo. Ritchie afirmou que quem se chama de "metodista" sem transitar pelos caminhos do amor, da vida plena, digna, e da paz, "não se afastou apenas desse povo, mas também do coração, da mensagem evangélica, e invoca o nome de Deus em vão".
A bispa precisou o que significa ser metodista. O que certamente não passa por personagens que "a partir de um suposto poder absoluto tomam decisões que afetam a vida de milhões e colocam em risco a integridade da criação, levando a humanidade às raias da loucura da guerra".
Participaram do culto pela paz, em Genebra, o secretário geral da Aliança Mundial de Igrejas Reformadas, Setri Nyomi; a secretária geral adjunta da Federação Luterana Mundial, Karen Bloomquist; membros das missões diplomáticas em organismos das Nações Unidas que funcionam em Genebra, líderes de organismos eclesiais e internacionais.
Raiser destacou, na homilia, que embora muitos possam sentir-se desarmados, angustiados e temerosos, pela primeira vez as igrejas colocaram o mandamento de Deus acima de sua lealdade política respectiva. O líder ecumênico elogiou as igrejas dos Estados Unidos, que tiveram a hombridade de "falar a verdade aos poderosos".
A credibilidade das Nações Unidas não ficou prejudicada com a guerra, arrolou Raiser. A avassaladora maioria dos membros da ONU rechaçam a guerra contra o Iraque, o que indica que os valores básicos sobre as quais essa organização foi fundada continuam firmes. A guerra contra o Iraque, denunciou Raiser, é uma "derrota política e moral para o governo dos Estados Unidos e seus aliados".

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