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Sexta-feira, 9 de Maio de 2003

Igrejas preparam Fórum pela Paz

BOGOTA, Colombia, Março 21, 2003

Igrejas, organizações evangélicas e de outras confissões preparam o Fórum pela Paz na Colômbia, que Taxi Heathrow Airport deverá reunir, em agosto, representantes de todo o país e do exterior. O Fórum quer estabelecer estratégias que facilitem alternativas não-violentas para o conflito colombiano.

Na reunião convocada pela Fundação Cristãos pela Paz e Visão PI, realizada na segunda-feira, 17, representantes de mais de 20 organizações e igrejas evangélicas, ortodoxa, luterana, episcopal, da comunidade muçulmana e de ONGs criaram o Comitê Condutor, encarregado de preparar o Fórum.

Os promotores do Fórum entendem que as experiências da Guatemala, El Salvador, Nicarágua e, no caso colombiano o Acordo de Caracas e diversos projetos de pacificação e reconciliação regionais, mostram que é possível a sociedade civil impulsionar processos de impacto na comunidade.

O pastor Alfredo Torres Pachón, presidente da Fundação Cristãos pela Paz, disse que porta-vozes da Comissão de Paz do Congresso nacional, dos grupos armados, do escritório do Alto Comissionado para os Direitos Humanos e das Nações Unidas, assim como personalidades nacionais e internacionais que trabalham no processo de paz, manifestaram apoio à iniciativa.

Pachón informou que o Comitê de Criadores de Gado pretende promover projeto social nos cinco municípios da antiga área de distensão de San Vicente del Cáguan. O projeto, denominado "Dos diálogos aos fatos", ainda depende de recursos. Mas se for concretizado, ele vai beneficiar cerca de 1.500 famílias de agricultores da região.

O quadro de violência na região é desolador. Na rodovia de San Vicente, que leva para Neiva, contou o pastor, a comitiva que visitou a região viu, às margens da rodovia, uma pessoa morta em avançado estado de decomposição, deitada a apenas 5 km de um quartel do exército. Nos últimos dias, foi denunciado o assassinato de mais de dez pessoas.

Em Campo Hermoso, Puerto Rico e Puerto Amor foram mortos quatro pastores evangélicos. Os crimes são atribuídos à guerrilha e aos paramilitares. A situação é tão crítica que a população pede a presença permanente em San Vicente de comissões da Organização dos Estados Americanos (OEA), da Anistia Internacional e das Nações Unidas, para que detenham o derramamento de sangue na região.

Apesar da dramática situação, os evangélicos continuam trabalhando em projetos de pacificação e construção de uma vida melhor, disse.

No dia 14 de março, evangélicos concluíram um ciclo de encontros com a população campesina do Alto Ariari, no município de El Dorado, Departamento de Meta. O encontro durou cinco meses.

A iniciativa privilegiou a integração social dos camponeses e a busca de soluções econômicas com a formação de cooperativas dos plantadores de plátano; ela significa o aval à paz e à convivência pacífica; promove o desenvolvimento espiritual integral através de acompanhamento pastoral.

Nos municípios de San Isidro, Medellín del Ariari, El Castillo e El Dorado, povoados inteiros, estigmatizados de guerrilheiros e ou paramilitares, tinham suas linhas limítrofes delimitadas e até mesmo entrincheiradas. Era perigoso viajar de um local a outro. Os viajantes tinham medo de serem mortas.

O pastor Jaime Rodríguez, da Fundação Visión PI, informou que o processo de acompanhamento e integração teve início com a associação de 25 famílias de agricultores. Atualmente, são 200 famílias e a meta é chegar a 400, para o cultivo de 1 mil hectares de plátano.

O programa enfatiza a reconstrução do tecido social, que se fortalece através de uma reunião mensal, incluindo momentos de reflexão espiritual, acompanhamento pastoral, atividades sociais, culturais, desportivas e conferências.

A convivência pacífica produziu significativos casos concretos de perdão e reconciliação entre dirigentes de El Dorado e El Castillo, fortaleceu a comunicação e a cooperação da comunidade com seus prefeitos e vice-versa.

A Fundação Cristãos pela Paz acompanha o processo. A população está assombrada com os resultados alcançados. O pastor Torres disse que agora é preciso ajuda para a comercialização do plátano. Para tanto, querem buscar a cooperação de organismos nacionais e internacionais.

Também pretendem elaborar uma teologia do comunitário, para aplicá-la na região e implementá-la em outros lugares do país, onde também acontecem processos coletivos integrais de desenvolvimento social.