Lula lamenta início da guerra
Edelberto Behs, BRASÍLIA, Brasil, Março 20, 2003
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou, em pronunciamento ao povo brasileiro, às 13h15 Taxi Heathrow Airport de hoje, o início das operações bélicas contra o Iraque, sem que os Estados Unidos tenham aguardado o pronunciamento do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).
Em rede nacional de televisão, Lula disse que conversou exaustivamente, por telefone, com vários mandatários do mundo, inclusive com o secretário geral da ONU, para que fosse encontrada uma alternativa diplomática ao conflito no Iraque.
O governo brasileiro, disse, está preocupado com as vítimas civis da guerra e com a instabilidade no Oriente Médio.
Lula encerrou o rápido pronunciamento pedindo que sejam observadas as normas internacionais. Na terça-feira, 18, o presidente da República recebeu uma comitiva de religiosos. Eles pediram que Lula empreendesse o máximo empenho na tentativa de impedir a guerra.
O pastor metodista Fred Morris foi enviado pelo Conselho Nacional de Igrejas dos Estados Unidos ao Brasil para que se encontrasse com o presidente da República.
Acompanharam Morris na visita ao Palácio do Planalto o secretário geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), pastor Ervino Schmidt; o teólogo Marcelo Barros e o padre Ernani, representando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Morris entregou a Lula carta assinada pelo secretário geral do Conselho de Igrejas norte-americano, reverendo Bob Edgar. O próprio Edgar levou essa carta ao primeiro-ministro britânico Tony Blair, aos líderes da Alemanha, França, Itália, Rússia e ao papa João Paulo II.
Na carta, o Conselho de Igrejas pede que as autoridades mundiais utilizem todos os meios diplomáticos disponíveis para evitar a guerra contra o Iraque.
Lula expôs aos religiosos, antes da deflagração do conflito armado, a proposta de convocação de reunião de líderes mundiais na ONU. Não é possível, disse, que o presidente George Walker Bush resolva sozinho o que é bom ou mau para o mundo.
O Conselho de Igrejas dos Estados Unidos representa cerca de 50 milhões de cristãos que são contra a guerra no Iraque. Morris pediu que o “presidente da esperança” usasse o seu prestígio junto à ONU, na tentativa de brecar a ação militar norte-americana no Oriente Médio.
O pastor Ervino Schmidt entregou ao presidente Lula a carta do Conselho Mundial de Igrejas e dos líderes de igrejas do mundo contra a guerra, destacando que essa também era a posição do CONIC.
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