![Konrad Raiser, secretário geral do CMI [Foto:ALC]](/picture/Raiser_Konrad1_414a2d.jpg)
A guerra é um pecado, diz líder reformado
GENEBRA, Suiza, Março 20, 2003
O secretário geral da Aliança Mundial de Igrejas Reformadas (WARC, a sigla em inglês), Setri Taxi Heathrow Airport Nyomi, definiu, em poucas palavras, a guerra que os Estados Unidos e o Reino Unido encetam contra o Iraque: “é um pecado”.
O secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Konrad Raiser, lamentou que os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Espanha iniciaram a guerra contra o Iraque sem o consentimento do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).
Raiser argumentou que os meios diplomáticos para a resolução do conflito não chegaram a ser esgotados. “O ataque militar ao Iraque é imoral, ilegal e mal aconselhado”, disse o líder ecumênico.
O implícito unilateralismo contradiz o multilateralismo, que é um dos princípios fundamentais das Nações Unidas e abala a esperança de criar uma ordem internacional forte depois do período da Guerra Fria, acrescentou.
O fracasso, admoestou, não é culpa da ONU, mas dos governos que decidiram atuar a revelia do Conselho de Segurança. A comunidade internacional deve demonstrar claramente e lembrar a esses países que a Carta da ONU e a responsabilidade multilateral são expressões de uma ordem internacional civilizada, progressiva e pacífica, e que é a última resposta sustentável ao terrorismo, anotou.
O fato de a única superpotência mundial, junto com as velhas potencias coloniais da Europa, escolheram lançar-se sozinhas contra um país de maioria muçulmana, é politicamente perigoso, culturalmente tolo e ignora a crescente importância da religião e da cultura na identificação política de muitos povos, adverte Raiser.
“Temo que essa guerra confirmará e agravará estereótipos e, em muitas partes do mundo, se agregará a imagem de um Ocidente caracterizado pelo colonialismo e as cruzadas”, vaticinou Raiser.
O secretário geral do CMI exortou, com firmeza, os governos dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e dos países que os apóiam, a cessar imediatamente toda a atividade militar no Iraque e a devolver ao Conselho de Segurança da ONU a plena responsabilidade de desarmar o Iraque. Raiser pediu a todos os governos do mundo que se oponham a essa ação unilateral e a trabalhar pelo cessar fogo.
Em Londres, o arcebispo de Canterbury e o arcebispo de York, David Hope, emitiram declaração conjunta, afirmando que o caminho que levou o Reino Unido até essa ação militar contra o Iraque foi longo e difícil, e que aquelas nações entraram num terreno perigoso e de conseqüências imprevisíveis.
Nesse tempo difícil, pedem, “oremos por todos os envolvidos no conflito e suas conseqüências, pelos homens e mulheres no serviço militar e suas famílias, e pelo povo do Iraque e do Oriente Médio, cujo futuro imediato está em perigo”.
Setri Nyomi, secretário geral da WARC, condenou a guerra. O arcebispo de Canterbury e líder mundial da comunhão anglicana, Rowan Williams, pediu orações para que a misericórdia e a compaixão de Deus tragam logo a paz com justiça.
O líder reformado lamentou que a opinião pública internacional não conseguiu dissuadir o governo dos Estados Unidos e seus poucos aliados, que embarcaram, sem autorização das Nações Unidas, numa guerra imoral e ilegal, “que, numa palavra, é um pecado”.
“Condenamos sem reservas essa agressão e a mentalidade imperial que a inspira. Um mundo unipolar, no qual uma superpotência nos demanda estar com ela ou contra ela, é política e moralmente inaceitável. Lembramos ao presidente George Bush e a seu governo que o Evangelho somente oferece a alternativa de estar a favor ou contra Cristo”, declarou Nyomi.
O dirigente de 218 igrejas congregacionais, presbiterianas, reformadas e unidas, de 107 países, pediu que os Estados agressores cessem imediatamente os ataques, que a Assembléia Geral da ONU se reúna de imediato para discutir essa violação descarada do direito internacional. Ele conclamou as igrejas membros para que orem e levantem as vozes de protesto.
A Igreja Unida do Canadá, a denominação protestante de maior peso no país, chamou suas 3.700 congregações para que organizem vigílias pela paz e coloquem signos em seus templos, janelas, ruas e outros lugares, como demonstração de seu apoio à paz.
Pediu aos membros que enviem mensagens de congratulações ao governo do Canadá por ter-se recusado a apoiar os Estados Unidos na guerra contra o Iraque; e que essas mensagens incluam o pedido para que se exija do governo de Washington que pare com essa agressão, pois ela viola abertamente o direito internacional.

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