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Sexta-feira, 16 de Julho de 2004

Eliana Rolenberg, diretora da CESE
Eliana Rolenberg, diretora da CESE

Washington não sabe perder, diz CESE

Edelberto Behs, SALVADOR, Brasil, Março 19, 2003

 Num vigoroso apelo, a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) conclama todas as pessoas e grupos de boa vontade a prosseguirem com as manifestações pacíficas para “desmontar o cenário de guerra armado para subjugar povos que não seguem, obedientes, a cartilha do império do Norte”. 

A CESE defende uma plural humanidade em paz e diz que Washington não quer – porque não sabe – perder.

O “Clamor para impedir a guerra iminente”, título do manifesto assinado pela diretora executiva da CESE, Eliana Rolemberg, denuncia os Estados Unidos, império que “pratica e fomenta o terrorismo de Estado”, que “não respeita as leis, tratados, pactos nem instituições internacionais”.

O documento afirma que os Estados Unidos tentam, com a guerra, “impedir, a todo custo, a derrocada iminente de sua economia”. Explica que paises da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) começam a efetuar negócios tomando o euro como moeda de troca.

Se os “petroeuros” substituírem os “petrodólares”, pela primeira vez, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o dólar deixará de ser moeda forte. “Com isso, o Banco Central Europeu pode vir a se sobrepor ao norte-americano em volume de riqueza plasmada numa única moeda. O controle mundial já está em jogo. Jogo perigoso”, alerta a CESE.

Com a guerra, os Estados Unidos – o império, não o povo, destaca o documento – põe a nu a fragilidade de organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas. O “Golias” do Norte “quer impor lealdade ao Iraque e ampliar seu controle sobre o Oriente Médio, com a força das armas, para controlar o petróleo e impedir a ascensão da moeda européia”, aponta a CESE.

No caso da guerra se concretizar, como Bush ameaça estabelecendo um prazo para que Saddam Hussein deixe o Iraque, “os danos à vida e ao planeta seriam ainda maiores e irreparáveis”, o terror “sobreviria ainda mais terrível ao já combalido povo iraquiano”, o fosso entre povos de culturas e credos distintos se agravaria, as diferenças religiosas se transformariam em estranheza e a intolerância violenta entre cristãos, muçulmanos e judeus seria robustecida, adverte o manifesto.

Por isso, a CESE entende que é preciso “silenciar o discurso da intolerância” e semear a paz e a solidariedade. Guerras podem ser evitadas, frisa o documento, que denuncia a indústria da morte. Só nos Estados Unidos são gastos cerca de 300 bilhões de dólares ao ano em armas e assuntos militares.

A CESE pede o fim da unilateralidade no tratamento entre as nações e o respeito à autodeterminação de todos os povos.


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